Foto mostra menino se despedindo da mãe antes de ser morto pelos EUA em ataque no Irã

Atualizado em 11 de março de 2026 às 23:27
A última foto de Mikaeil Mirdoraghi, tirada por sua mãe, antes de morrer na escola bombardeada no Irã por EUA e Israel

A imagem de Mikaeil Mirdoraghi, um garoto iraniano acenando para sua mãe antes de ir para a escola em 28 de fevereiro, virou o rosto da brutalidade do ataque de Estados Unidos e Israel na guerra contra o Irã.

A foto, capturada momentos antes de uma tragédia devastadora, mostra o jovem estudante com sua mochila, em um gesto de despedida rotineiro.

Naquele dia, a escola primária Shajareh Tayebeh, localizada em Minab, no sul do país, onde Mikaeil estudava, foi completamente destruída. O incidente resultou em centenas de vítimas, chocando a comunidade internacional.

As consequências do ataque foram catastróficas: 175 pessoas perderam a vida, incluindo 110 crianças que frequentavam a instituição de ensino.

Em entrevista à imprensa local na época do incidente, a mãe de Mikaeil compartilhou detalhes dos últimos momentos com seu filho. Ela recordou que Mikaeil pediu que ela tirasse uma foto dele antes de sair, um simples registro de um dia que prometia ser comum, mas que se transformaria em luto.

O gesto despretensioso do menino, acenando para a câmera com sua mochila nas costas, congelou um momento de normalidade familiar. Esse momento, capturado em uma fotografia, tornou-se um testemunho silencioso da rotina diária de assassinatos da ‘Operação Fúria Épica”.

A mãe disse à mídia iraniana que recordou com nostalgia a noite anterior ao ataque, quando Mikaeil elogiou a comida, dizendo que “tinha gosto de paraíso.”

Lembrou de uma luta de travesseiros entre Mikaeil e seu irmão à meia-noite. O garoto, com sua imaginação infantil, simbolizou a tensão geopolítica, dizendo: “Vem! Eu sou o Irã, irmão, e você é os Estados Unidos.”

“Essa criança era um anjo de Deus. Ele mesmo dizia: ‘Eu sou Mikael.’ Sempre dizia: ‘Meu nome é Mikael.’ Mikael significa ‘anjo de Deus’. Ele dizia: ‘Quem tiver um desejo, diga que eu vou realizá-lo.’ Ou seja, Deus também amava essa criança, por isso a levou para junto de si”, completou a mãe.

Ela chamou os Estados Unidos de “covardes” por “dispararem mísseis dessa forma contra tantos estudantes”. “Não havia absolutamente nada naquela escola. Eu mesma vivo em Minab há quatro anos, ou seja, eles simplesmente queriam matar nossas crianças”, afirmou.

De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, uma investigação militar interna americana mostrou que o ataque ao prédio da escola primária foi resultado de um “erro de direcionamento” por parte das Forças Armadas dos EUA. A escola fica no mesmo quarteirão que prédios usados ​​pela Marinha da Guarda Revolucionária do Irã.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.