Fracasso em trégua e ameaça de Trump: Petróleo dispara e volta aos US$ 100

Atualizado em 12 de abril de 2026 às 22:28
Vista aérea do Estreito de Ormuz. Foto: reprodução

O preço do petróleo disparou no mercado internacional neste domingo (12), após o fracasso das negociações de paz entre Irã e Estados Unidos e novas ameaças sobre o Estreito de Ormuz. Por volta das 19h, o Brent subia 6,80%, cotado a US$ 101,93 o barril, enquanto o WTI avançava 7,98%, chegando a US$ 104,27.

A escalada no mercado ganhou força depois que representantes dos dois países se reuniram em Islamabad, no Paquistão, para tentar um acordo. As conversas, classificadas como de “alto nível”, duraram cerca de 21 horas, mas terminaram sem consenso.

Ao deixar o país, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que o impasse ocorreu após o Irã rejeitar os termos americanos para não desenvolver armas nucleares. Segundo ele, Washington exige garantias claras de que Teerã não terá capacidade de produzir esse tipo de armamento.

Após o fracasso diplomático, o presidente Donald Trump elevou o tom e afirmou nas redes sociais que pretende iniciar um bloqueio total ao Estreito de Ormuz. A medida inclui interceptar navios comerciais, inclusive em águas internacionais, que paguem taxas ao governo iraniano para circular na região.

Navio no Estreito de Ormuz. Foto: Reprodução

Na prática, a ação busca interromper cerca de 2 milhões de barris de petróleo iraniano que ainda passam pelo estreito, pressionando a economia do país. O reflexo já apareceu no mercado, com redução no fluxo de embarcações e alta no preço da commodity.

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o tráfego no Estreito de Ormuz caiu drasticamente. De cerca de 135 travessias diárias em períodos normais, o número passou a ficar na casa de um dígito na maioria dos dias, mesmo após um cessar-fogo temporário recente.

Sofia Carnavalli
Sofia Carnavalli é jornalista formada pela Cásper Líbero e colaboradora do DCM desde 2024.