França está disposta a revidar “ataques do Irã” a países aliados, diz ministro

Atualizado em 2 de março de 2026 às 11:23
Jean-Noël Barrot, ministro das Relações Exteriores francês. Foto: Ludovic Marin/AFP

A França declarou, nesta segunda-feira (2), que está pronta para participar da defesa dos países do Golfo e da Jordânia, alvos de ataques iranianos em meio à escalada militar no Oriente Médio. A posição foi anunciada pelo ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, após a intensificação do conflito iniciado por Israel e Estados Unidos contra o Irã.

Em resposta à ofensiva iniciada no sábado (28), o país persa passou a lançar mísseis e drones contra bases militares estadunidenses em países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Iraque, Bahrein, Kuwait, Omã e Jordânia. “A França expressa a eles seu pleno apoio e solidariedade. Está disposta (…) a participar de sua defesa”, afirmou Jean-Noël Barrot em entrevista coletiva.

A retaliação iraniana ocorreu um dia depois de uma ofensiva de grande porte conduzida por EUA e Israel contra alvos estratégicos em território iraniano, incluindo integrantes da cúpula do regime. Segundo o Crescente Vermelho iraniano, ao menos 555 pessoas morreram no Irã desde o início dos bombardeios.

“Após os ataques terroristas sionistas-estadunidenses realizados em várias regiões do nosso país, 131 cidades foram afetadas até o momento e, lamentavelmente, 555 de nossos compatriotas morreram”, declarou a entidade em mensagem publicada no Telegram.

De acordo com o Comando Central dos EUA (Centcom), um dos principais alvos foi o quartel-general da Guarda Revolucionária Islâmica. “Os Estados Unidos têm as Forças Armadas mais poderosas do planeta, e a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) não tem mais um quartel-general”, afirmou o comando em suas redes sociais.

“A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) matou mais de 1.000 americanos nos últimos 47 anos. Ontem (sábado), um ataque em larga escala dos EUA cortou a cabeça da serpente”, emendou. O Centcom informou ainda que mais de mil alvos foram destruídos, incluindo centros de comando, bases militares e embarcações.

Os ataques atingiram diversas cidades iranianas, do norte ao sul do país. Em Teerã, uma base associada à repressão de protestos foi destruída por bombardeio israelense. Segundo a Força Aérea de Israel, aeronaves operavam “livremente” nos céus da capital.

A reação iraniana ampliou o conflito regional. Mísseis atingiram aeroportos, bases utilizadas pelos EUA em países do Golfo. Nos Emirados Árabes Unidos, três pessoas morreram. O governo local fechou sua embaixada em Teerã e condenou os ataques.

“Esses ataques hostis contra locais civis, incluindo áreas residenciais, aeroportos, portos e instalações de serviços, colocaram em risco civis inocentes em uma escalada grave e irresponsável e constituem uma violação flagrante da soberania nacional, bem como uma clara violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores emiradense.

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, teve o tráfego impactado, com navios ancorados na região. Empresas como MSC e Maersk suspenderam operações. A Opep+ confirmou aumento na produção a partir de abril para conter possíveis altas no preço do barril.

Em Israel, mísseis iranianos atingiram cidades como Beit Shmesh, Tel Aviv e Jerusalém, deixando mortos e feridos. O governo convocou 100 mil reservistas adicionais. Em pronunciamento, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o objetivo é “atacar o coração de Teerã”.

“Estamos envolvidos em uma campanha na qual as Forças de Defesa de Israel (IDF) estão mobilizando toda a sua força como nunca antes, para garantir nossa existência e nosso futuro”, declarou.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.