Mulheres brasileiras lideram número de “mulas” do tráfico presas na França

Atualizado em 23 de agosto de 2026 às 16:53
Mulher segurando cartão e esperando ônibus. Foto: Divulgação

A França prendeu mais de 1.200 pessoas vindas do Brasil e usadas como “mulas” do tráfico nos últimos três anos, segundo relatório do Escritório Antidrogas francês (Ofast). O grupo representa cerca de dois terços dos transportadores de drogas detidos no país durante o período.

Mulheres jovens em situação de vulnerabilidade social formam a maioria das pessoas recrutadas. O perfil recorrente identificado pelas autoridades reúne brasileiros entre 25 e 40 anos, com dificuldades econômicas, comportamento discreto e sem antecedentes criminais.

As autoridades francesas admitem dificuldades para acompanhar a escala das operações. As organizações criminosas chegam a embarcar cerca de 30 transportadores no mesmo voo, apostando que parte do grupo conseguirá escapar da fiscalização.

A maioria das “mulas” não integra as organizações e frequentemente desconhece a identidade dos responsáveis pelo esquema. O modelo reduz o risco de identificação dos traficantes quando um transportador acaba preso e interrogado.

Mulher em frente à Torre Eiffel. Foto: Divulgação

As redes criminosas recrutam as brasileiras por aplicativos de mensagens criptografadas. O método se assemelha ao usado para aliciar mulheres da Tailândia, outro grupo mobilizado para transportar drogas até a França.

Os aliciadores compram as passagens pouco antes da viagem e muitas vezes pagam em dinheiro vivo. Após o desembarque, os transportadores entram em contato com interlocutores pelo WhatsApp, por meio de números brasileiros associados a identidades falsas.

A droga segue escondida na bagagem ou no corpo. As brasileiras costumam transportar cocaína, enquanto as mulheres recrutadas na Tailândia levam principalmente cannabis, segundo a rádio francesa RTL.

O pagamento varia de 1.500 a 10 mil euros, aproximadamente de R$ 9 mil a R$ 60 mil, por viagem de ida e volta. O Ofast também relata que os grupos expõem deliberadamente algumas “mulas” com quantidades menores para desviar a fiscalização e orientam os transportadores a permanecer em silêncio se a polícia os prender.

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