Franquia da Kopenhagen e emprego para a mulher no Senado: quem é o advogado bombril de Bolsonaro. Por Charles Nisz

Granado e o chefe, Flávio: 1.001 utilidades

Victor Granado Alves, advogado de Flávio Bolsonaro e assessor do então deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, comprou uma loja franqueada da Kopenhagen na Barra da Tijuca, zona sul do Rio de Janeiro em 2007.

A loja foi adquirida em sociedade com Mariana Frassetto Granado, esposa do advogado, e Tânia Oliveira Granado. O negócio foi fechado em julho de 2007, a loja tem um capital social de R$ 200 mil. Nesta semana, Granado Alves apareceu no noticiário por ter recebido R$ 500 mil do Fundo Partidário enquanto trabalhava no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro chegou a anunciar no seu perfil do Twitter em 2017 que o advogado Granado Alves cuidaria de processos de interesse do pai, na época pré-candidato a presidente.

“Crimes contra a honra de Bolsonaro não ficarão impunes! Passando mais algumas ações ao escritório do brilhante advogado Victor Granado!”, disse, no texto que era ilustrado por uma foto dele com Granado Alves.

O que ele não contou é que o advogado tinha (ou teria) outras utilidades. Granado Alves é investigado por movimentações suspeitas descobertas pelo Coaf enquanto era assessor dele na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Os dois são amigos de infância. Em 2019, Granado Alves passou a trabalhar na liderança do PSL, então partido de Jair Bolsonaro e Flávio, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Em fevereiro de 2019, o escritório de Alves foi contratado para defender o filho mais velho do presidente, e o acordo durou 13 meses.

No mesmo ano em que recebeu os pagamentos do PSL, Alves e Daniel Stolear Simões, seu sócio, compraram uma loja da Kopenhagen por R$ 540 mil. Já a loja comprada em 2007, na zona norte do Rio, custou R$ 200 mil.

A suspeita é que haja um esquema de compra de franquias em shopping para lavar dinheiro do Fundo Partidário e da rachadinha dos funcionários dos gabinetes de Jair, Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro. Confirmada a suspeita, o esquema, como se vê, é antigo.

Mariana Granado, esposa do advogado, deixou o trabalho no escritório do marido e atualmente é funcionária comissionada do Senado, para atender ao gabinete de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. Seu salário é R$ 22 mil, conforme registra o portal Transparência do Senado.

 

Por que uma dona de franquia precisaria ser funcionária de Flávio?

Em dezembro de 2019, o Ministério Público estimava em R$ 2,3 milhões o montante lavado por Flávio Bolsonaro em lojas franqueadas e outros investimentos imobiliários. Parte desse dinheiro foi depositado  em caixas eletrônicos no Via Parque Shopping, onde uma dessas lojas está localizada.

Desde que a loja da Kopenhagen do shopping Via Parque foi comprada por Flávio, o volume de depósitos em dinheiro vivo foi o equivalente a 37,5% dos recebimentos por cartões de débito e crédito. De 2015 a 2017, atingiu 41,8%. Em valores absolutos, a diferença entre o valor na conta da franquia e as vendas fiscalizadas chega a R$ 1,6 milhões.

Para o MP, o volume de depósitos em espécie na conta da franquia era desproporcional em relação a negócios semelhantes. Além disso, a movimentação em grana viva crescia em dias de pagamentos dos funcionários da Alerj.

Segundo os promotores, Flávio não tinha lastro financeiro para justificar a compra da loja de chocolates. Segundo o MP, escolher uma loja de shopping para lavar dinheiro não foi sábio, pois os contratos de locação desses estabelecimentos preveem auditorias sobre o faturamento bruto.

A Kopenhagen explica não ter feito auditoria nas lojas de Flávio e seu advogado, pois isso compete ao franqueado. “A marca possui sob sua gestão mais de 400 lojas franqueadas espalhadas por todo o Brasil, sendo assim a gestão contábil e financeira de cada uma delas compete apenas e tão somente ao próprio franqueado”, diz, em nota enviada à imprensa.

Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre a investigação e seus advogados tentaram suspender o inquérito mais de dez vezes, entre recursos na primeira instância, Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal.

Granado também não se manifestou.

O espaço está aberto para ele.

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Bombril é o produto que tem como slogan “1.001 utilidades”.

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