Frei Gilson é denunciado ao MPSP por falas preconceituosas sobre gays e mulheres

Atualizado em 5 de maio de 2026 às 23:36
O bolsonarista Frei Gilson durante realização de missa. Foto: reprodução

O frei Gilson da Silva Pupo Azevedo, figura com milhões de seguidores nas redes sociais, tornou-se alvo de uma denúncia no Ministério Público de São Paulo (MPSP) por declarações consideradas discriminatórias contra pessoas LGBT+ e mulheres.

A denúncia foi protocolada pelo ex-noviço, jornalista e escritor Brendo Silva, que acusa o religioso de difundir discursos que reforçam estigmas e exclusões.

De acordo com o texto da denúncia, Frei Gilson tem utilizado, em homilias, entrevistas e plataformas digitais, terminologias preconceituosas para se referir à homossexualidade, como “homossexualismo”, associando-a a ideias de “desordem”, “contrariedade à lei natural” e “depravação grave”.

Brendo Silva aponta que tais abordagens contribuem para reforçar preconceitos, ultrapassando os limites da manifestação religiosa.

“Liberdade religiosa não é liberdade para odiar. As homilias e entrevistas em que Frei Gilson trata gays como doentes ao utilizar termos ultrapassados e associa a homossexualidade a ideias de desvio ou inferioridade, além de reforçar visões que colocam a mulher em posição secundária, não podem ser naturalizadas. Estamos em um país com altas taxas de feminicídio e violência contra pessoas LGBT+. Isso é inaceitável”, afirma Silva na denúncia.

O ex-noviço, que conviveu por mais de uma década em ambientes religiosos, incluindo seminários, destacou a contradição entre os discursos de exclusão e a presença de sacerdotes homossexuais dentro da própria estrutura eclesiástica. “É preciso coerência e responsabilidade”, acrescentou Silva, que já publicou livros sobre o tema dos padres homossexuais.

Além das acusações de discriminação contra LGBT+ e mulheres, Frei Gilson também gerou controvérsia com declarações sobre pessoas tatuadas.

“Ao menos no céu não haverá ninguém tatuado. Se tiver, vai ser limpo, porque teremos um corpo glorioso igual ao de Cristo, e o corpo de Cristo não tem tatuagem. Se tiver, vai limpar tudo”, declarou o sujeito.

Frei Gilson ganhou notoriedade durante a pandemia de Covid-19, com transmissões ao vivo de vigílias que atraíram milhões de seguidores no Instagram e YouTube, em que canta, prega e conduz orações.

Membro dos Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo, bolsonarista e líder do ministério musical “Som do Monte”, ele já havia sido criticado pela senadora Soraya Thronicke por falas sobre o “papel da mulher”.

“Ela [as mulheres] sempre quer ter mais. Eu não me contento só em ter qualidades normais de uma mulher, eu quero mais. E isso é a ideologia dos mundos atuais. Uma mulher que quer mais, eu vou até usar a palavra que vocês já escutaram muito, empoderamento. Eu quero mais”, declarou.

“É claro ver que Deus deu ao homem a liderança. É claro ver que Deus deu ao homem ser o chefe. Isso está na Bíblia. O homem é o chefe do lar. O homem foi dado a ele a liderança. Mas a mulher tem o desejo de poder. Não é desejo de serviço, desejo de poder. Repito a palavra, empoderamento. Essa palavra é do mundo atual”.

Davi Nogueira
Davi tem 25 anos, é editor e repórter do DCM, pesquisador do Datafolha e bacharel em sociologia pela FESPSP, além de guitarrista nas horas vagas.