“Frota sentou à minha mesa para pedir desculpas. Não precisamos viver com ódio”, diz Túlio Gadêlha. Por Larissa Bernardes

Túlio Gadêlha (PDT-PE) – Foto: Alexandre Amarante/PDT na Câmara

O advogado Túlio Gadêlha (PDT-PE), de 31 anos, foi eleito deputado federal em Pernambuco nas eleições de 2018. 

Ganhou destaque nacional ao assumir um relacionamento com a apresentadora da Rede Globo Fátima Bernardes.

Em entrevista exclusiva à repórter Larissa Bernardes do Diário do Centro do Mundo, Túlio fala, entre outras coisas, sobre sua trajetória política, oposição ao governo de Jair Bolsonaro, apoio do PDT à reeleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara, e claro, sobre o namoro com Fátima.

DCM – Você começou a ganhar espaço na mídia recentemente, porém, está há bastante tempo envolvido com a política. Conte um pouco de sua trajetória política e de militância.

Túlio Gadêlha – Quando demos início a nossa campanha, no ano passado, tivemos a preocupação de deixar bem claro que a nossa trajetória na política não era uma novidade. Inclusive, essa foi a linha da nossa candidatura: “conheça a nossa história”.

Eu me filiei ao PDT em 2006, aos 19 anos, ainda na Universidade Católica de Pernambuco, quando eu entrei no movimento estudantil. Sempre tive Darcy Ribeiro, Jango e Leonel Brizola como grandes referências na minha vida. Fui eleito e reeleito diretor da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), que é vinculada à União Nacional dos Estudantes (UNE).

Também fui aluno e tutor de cursos de formação política pela Universidade Leonel Brizola (ULB), uma entidade que é ligada a Fundação Leonel Brizola, Alberto Pasqualini. Em 2010, entrei para a Juventude Socialista, onde trabalhei até 2017. Também participei ativamente da criação de movimentos sociais como o Reinventar, que defende a Renovação da Política em Pernambuco.

Tive a experiência de disputar outras duas campanhas políticas. A primeira para vereador, no Recife, em 2012, quando fui o candidato que mais participou de debates públicos. Na época fiquei na segunda suplência do PDT para a Câmara Municipal. Assumi, então, a Secretaria Executiva e, posteriormente, a Secretaria-Geral do PDT em Pernambuco e fui eleito membro do Diretório Nacional do PDT.

Em 2013 ingressei como coordenador político no mandato do então Deputado Federal Paulo Rubem Santiago, ex-presidente da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção.

Em 2014, disputei, pela primeira vez, para a Câmara Federal. Fiquei também na segunda suplência do partido e, por meio do Fórum Pernambucano de Comunicação (FOPECOM), promovi debates e coletou assinaturas para aprovação da Lei da Mídia Democrática.

Em 2015, com a reeleição da presidente Dilma, recebei um convite do então Ministro do Trabalho, Manoel Dias, para assumir a Direção da Fundação de Segurança e Medicina do Trabalho (FUNDACENTRO) no Nordeste. Representei o PDT na Coordenação da Frente Brasil Popular – junto ao MST, MTST, ASA, FETAPE, PT e PCdoB – e atuei contra o impeachment e em defesa da legalidade e da democracia.

Em 2017 assumiu a presidência do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Pernambuco (ITERPE), mas, por pressões políticas, fui exonerado no início de 2018.

No ano passado, disputei minha terceira campanha. Foi um grande desafio. Uma campanha com poucos recursos financeiros e muitos voluntários. Gente que abraçou nossas causas e, graças a essa participação, fomos eleitos por 75.642 pernambucanos.

DCM – Logo após o fim do segundo turno, Ciro Gomes publicou um vídeo dizendo que iria estar à frente da oposição a Bolsonaro. Você acha que ele está cumprindo com o prometido?

TG – O Ciro é um grande político, amigo e tenho grande admiração por ele. E, sim, ele assumiu essa postura desde as eleições, com senso crítico, muito preparo e pleiteando um projeto para o país, oposto ao do atual presidente.

Você foi bastante criticado por se reunir com Rodrigo Maia. Alguns dias depois, também se reuniu com Alexandre Frota. O que te levou a encontrar estes políticos? Como enxerga as críticas que sofreu?

TG – Eu percebo que a sociedade brasileira carece de diálogo, principalmente no campo político. E a política deve ter esse diálogo para ajudar a construir pontes e não muros. Tenho visto ultimamente extremismo dos dois lados: de esquerda e de direita. É dever do político saber dialogar com correligionários e também com opositores. Isso faz parte do processo democrático.

E tive a oportunidade de conversar com dois candidatos à Presidência da Câmara: Marcelo Freixo e Rodrigo Maia. E não só conversei, como publiquei nas minhas redes sociais porque acredito que o político deve ter transparência nos seus atos. Isso é uma questão de respeito ao eleitores.

Com o deputado Alexandre Frota, não foi uma reunião, nos encontramos durante o café da manhã porque estávamos hospedados, por coincidência, no mesmo hotel. Ele sentou na minha mesa, por poucos minutos, para pedir desculpas e dialogar. Como eu disse, estamos em campos opostos, mas não precisamos conviver com o ódio.

As criticas sempre vão acontecer. Elas fazem parte do processo democrático. As pessoas têm direito a expor suas opiniões e eu respeito todos elas.

Frota e Túlio Gadêlha tomam café

DCM – Você foi um dos poucos parlamentares do PDT que foram contra o apoio à reeleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara. O que te levou a divergir do partido?

TG – Eu sempre respeitei a decisão do meu partido na escolha para a Presidência da Casa. Foi uma escolha estratégica e compreensível. O alinhamento com a mesa diretora é fundamental para que o partido ocupe espaços estratégicos e possa combater os retrocessos e lutar pela democracia.

Mas, em respeito às minhas bases, minha escolha foi pelo Marcelo Freixo com o propósito de unir, ainda mais, o bloco de esquerda no nosso Congresso. Mas agora precisamos abrir o diálogo com o Deputado Rodrigo Maia em prol de um mesmo fim: a aprovação de projetos importantes para o país e o fortalecimento da democracia.

DCM – O PDT se coloca como oposição a Bolsonaro, mas esteve junto com o PSL na votação para a presidência da Câmara. Como você enxerga isso?

TG – Em nenhum momento, a decisão do PDT foi discutida ou alinhada com o PSL. O partido apoiou Maia e o PSL também. E como falei anteriormente, o PDT fez uma escolha estratégica para ter condições de ocupar mais espaços e ter mais oportunidades na Câmara.

DCM – O que podemos esperar de sua atuação como deputado? Quais pautas irá defender?

TG – Assumi um compromisso na minha campanha: ter independência para exercer meu mandato legislativo e assim o farei. Eu faço parte da bancada de oposição e pretendo questionar, mudar a lógica do sistema e fiscalizar o atual governo.

As propostas que respeitam a nossa democracia devem ser respeitadas, sejam elas propostas do governo ou da oposição. E na hora de fazer oposição, quero fazê-la de forma construtiva.

Como Deputado Federal, vou continuar defendendo as bandeiras que sempre defendi ao longo da minha trajetória na militância política: Educação, Trabalho, Cultura, Direitos Humanos e valorização das comunidades indígenas, quilombolas e do homem do campo.

DCM – Você se incomoda com o fato de sua vida pessoal sempre estar em evidência na mídia?

TG – Não vejo isso como problema. Sempre fui uma pessoa transparente e nunca me incomodou. Quanto à minha vida privada, essa eu faço questão de preservar.

DCM – Você acha que a exposição por causa de seu relacionamento pode, de alguma forma, atrapalhar ou ofuscar sua atuação como deputado?

TG – Tenho uma trajetória política de 12 anos. Meu mandato como Deputado Federal tem um propósito e um compromisso com meu estado e o país. Sempre soube separar a minha vida pessoal e a profissional. E isso não vai mudar.

DCM – Diversas vezes a mídia se refere a você como “o namorado de Fátima Bernardes”. O título te incomoda?

TG – Não.

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