
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram a questionar sua capacidade de liderar a oposição após sua fuga aos Estados Unidos e a divulgação de uma carta de teor golpista. As decisões ampliaram seu isolamento entre dirigentes partidários e nomes da direita.
De acordo com informações do Uol, integrantes do PL avaliam que a legenda precisa se afastar da associação com medidas inconstitucionais ou com a defesa de ruptura institucional. Publicamente, políticos do partido sustentam que o senador deixou o país para se proteger do que chamam de perseguição do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Nos bastidores, porém, aliados afirmam que Flávio abandonou articulações políticas e projetos de aliados, apesar do capital eleitoral que atribuem aos 60 milhões de votos recebidos no domingo. O grupo também passou a discutir quem poderá vocalizar a oposição nos próximos anos.
A carta provocou reações de partidos que estiveram ao lado de Flávio no segundo turno. União Brasil, MDB e PSDB se manifestaram contra a posição do senador, assim como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB).
🚨 Em carta, Flávio se declara “verdadeiro presidente eleito do Brasil”
O senador Flávio Bolsonaro publicou uma carta, nesta quarta-feira (28/10), após fugir para os Estados Unidos. No comunicado, ele se apresenta como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” https://t.co/okbDH7ZvEz
— Metrópoles (@Metropoles) October 28, 2026
Tarcísio volta a ocupar espaço entre lideranças da direita
Tarcísio publicou um vídeo na terça-feira afirmando que “a eleição passou”. Na quarta-feira (28), ao comentar a carta, disse compreender o “sentimento, indignação e revolta” de Flávio, mas defendeu que o caminho é “respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”.
O governador e Ricardo Nunes atuaram como cabos eleitorais importantes para a votação de Flávio em São Paulo. A posição adotada por ambos após os episódios contrastou com a estratégia do senador e ajudou a recolocar Tarcísio como um possível ponto de convergência da direita.
Em 2025, Tarcísio já figurava como o nome preferido de parte relevante do campo conservador para disputar a Presidência contra Luiz Inácio Lula da Silva. Integrantes do PL defendiam que o governador teria melhores condições de reduzir a rejeição associada ao sobrenome Bolsonaro.
Com Flávio e Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, o pastor Silas Malafaia resumiu a mudança na disputa interna pela liderança da direita: “O protagonismo agora é do Tarcísio”.