Fuga ou exílio? Eleitores se dividem sobre Flávio Bolsonaro nos EUA, diz pesquisa

Atualizado em 5 de novembro de 2026 às 11:13
Flávio Bolsonaro desce escada de avião
Flávio Bolsonaro desembarca nos Estados Unidos. Foto: Reprodução

A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil é vista como fuga para evitar prisão por 49,2% dos eleitores consultados em pesquisa do Labop FESPSP. Outros 47% disseram que o senador e candidato derrotado à Presidência deixou o país por perseguição. A informação é da coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

O levantamento identificou uma divisão diretamente associada ao voto no segundo turno. Entre os eleitores do presidente Lula (PT), 98% classificaram o episódio como fuga; entre os votantes de Flávio, 95% apontaram exílio ou perseguição como motivo da saída.

Entre os entrevistados de esquerda não lulista, 99% disseram enxergar fuga. Já na direita não bolsonarista, 95% adotaram a interpretação de que o senador sofreu perseguição.

O cientista político Jairo Pimentel, coordenador da pesquisa, afirmou que “não há propriamente uma disputa sobre os fatos”. “Há duas leituras do mesmo fato, determinadas pela identidade política”, explicou.

Pimentel afirmou ainda que o estudo indica que o voto passou a “funcionar como uma espécie de filtro para interpretar a realidade”.

O Labop FESPSP aplicou o questionário entre 27 e 29 de outubro, depois do segundo turno e quando se confirmou a ida de Flávio Bolsonaro e sua família aos Estados Unidos. A pesquisa ouviu 1.926 eleitores por meio de formulário online divulgado em anúncios no Facebook e no Instagram.

A margem de erro informada é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Entre os entrevistados que se definiram como independentes, 47,3% consideraram que houve fuga, 42,8% apontaram perseguição e 9,9% declararam não ter opinião formada.

O professor Beto Vasques, também coordenador do Labop, associou o resultado ao que chamou de “época da ‘pós-mentira’”. “O mais relevante para o processo de tomada de decisão já não é o grau de veracidade ou de evidências de um determinado fato, mas a possibilidade desta decisão ratificar o viés de confirmação prévio do indivíduo”, disse.

Levantamento ouviu 1.926 eleitores após o segundo turno

Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução

A partir de fevereiro, quando termina seu mandato, Flávio deve enfrentar dois inquéritos criminais sem foro especial. Um deles apura um pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Outro inquérito apura suspeita de lavagem de dinheiro nas relações de Flávio com o advogado Willer Tomaz. A campanha do senador afirmou anteriormente que a relação entre os dois é exclusivamente de amizade.

No domingo (25), após o segundo turno, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que a Polícia Federal cancelasse os passaportes brasileiros do senador e ordenou a entrega de eventuais passaportes estrangeiros. Flávio não cumpriu essa determinação, segundo a informação publicada.

Não havia ordem de prisão contra o senador nem medida semelhante quando ele deixou sua residência em Brasília, e a Polícia Federal não o monitorava naquele momento.

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