Fui à manifestação pela democracia em Brasília e não me arrependo: “Não nos calaremos”. Por Gelli Oliveira

Gelli Oliveira, professora de música e manifestante pela democracia

Este é o relato Gelli Oliveira, professora de música, que foi à Esplanada dos Ministérios neste domingo para protestar por democracia:

Cheguei depois do horário marcado, às 10h30. Parei o carro no estacionamento do Conic, ao lado da rodoviária (principal estação de Metrô e terminal de Brasília, fica perto da Esplanada). A polícia fez um bloqueio para carros e neste ponto estava tendo muito buzinaço. Segundo post no twitter, a PM tava multando quem buzinava, mas, quando passei por lá, não estavam multando, não!

Segui para a Biblioteca Nacional de máscara, claro, uma blusa preta escrita “imagina juntas” (que fiz com minhas primas, irmãs de luta!) E um cartaz escrito: “impeachment é pouco, cadeia para BolsonaroS!”.
Havia uma barreira com o batalhão de policiamento com cães. Parei, fiquei muito tempo olhando pra eles pensando porque não estavam ali nos domingos anteriores. Fiquei pensando se concordo com esse tipo de policiamento, já que sou vegana, contra toda exploração animal. Fiquei refletindo, olhando para eles, vendo aqueles cães num sol escaldante, um PM deu água para um e, coitado, estava com muita sede. Um cão latiu para um grupo de manifestantes, o PM o acalmou e tirou dali. Fiquei tranquila com a postura da polícia. Em outras manifestações, os PMs riam quando os cães latiam para o povo. E o olhar e postura de intimidação por parte da PM que já presenciei, não aconteceu. Fiquei um bom tempo parada, olhando pra eles e não se incomodaram. Em outras vezes que fiz isso, mostraram arma pra mim com um olhar intimidador. Segui.
Apenas um partido político, o PCO. Tive a impressão de ver a deputada Érika Kokay, mas, com essas máscaras, é difícil. Muitos cartazes pedindo justiça para Ágata, Miguel, João Pedro, Marielle e tantas outras vidas. Cartazes dizendo que grupo de risco é ser preto.
Haveria uma marcha para a Praça dos Três Poderes. Não ocorreu, pois tinha um diminuto grupo bolsonarista no meio do caminho e a polícia fez um isolamento entre os dois grupos. Do lado, bolsonaristas, pouca gente, mas carro de som (quem paga por isso?) Do lado, progressistas, muita gente, megafones e uma caixa de som simples com microfone. Todos com máscaras, álcool em gel, tinha um carro “anticovid” com água, sabão e máscara.
Havia dois repórteres cinematográficos em cima da biblioteca nacional, no meio dos manifestante só fotógrafos e apenas cobertura da TV Bandeirantes perto dos manifestantes.
Não teve nenhuma ocorrência, tudo em paz. Quando estava indo embora, o policiamento com cães já tinha ido embora, havia uma viatura com dois PMs no lugar, conversei com um deles.
Na volta para casa, resolvi vir pela L4, caminho mais longo, mas eu passaria perto da Praça dos Três Poderes. Como o eixo monumental estava fechado para carros, fui pela S1, uma rua que fica entre os ministérios e os anexos. Ali pude ver alguns manifestantes bolsonaristas indo embora. Me chamou atenção um grupo vestido com roupas de judô e máscara com a bandeira brasileira (alguns sem máscara). Não pude tirar foto, já que estava dirigindo, mas fiquei pensando: Por que mostrar que luta judô? Qual era a intenção dessa gente ao exibir aquela faixa preta em torno de suas barrigas? Seja lá qual tenha sido o propósito, ele não foi cumprido. Ainda bem.
Termino este relato com um grito importante que ecoou pelas ruas da capital federal hoje:
“Ei, Mourão, racista de plantão!”
Seguimos firmes na luta. Obrigada, DCM, por ser a voz que a mídia corporativista tenta silenciar. Não nos calaremos. Por isso, os apoio com orgulho!

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