Funcionários da Receita venderam dados de ministros por R$ 250

Atualizado em 27 de fevereiro de 2026 às 18:09
Viviane Barci de Moraes e Alexandre de Moraes. Foto: Evaristo Sá/AFP

Os servidores da Receita Federal investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por esquema de vazamento de dados pessoais de autoridades e familiares cobravam R$ 250 para vender as informações sigilosas. Segundo a Polícia Federal, o preço era cobrado por CPF, sendo R$ 150 para o servidor e R$ 100 para o atendente cedido pelo Serpro.

De acordo com os depoimentos dos envolvidos, obtidos pela coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo, o esquema já ocorria há anos e era operado de forma improvisada, com os funcionários apenas acessando os dados quando solicitados, sem saber de quem se tratavam.

A investigação teve início após o ministro Alexandre de Moraes determinar o rastreamento dos acessos aos dados fiscais de 140 pessoas, incluindo ministros do STF e seus parentes.

Superintendência da Receita Federal, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência O Globo

Com a constatação de acessos irregulares, os depoimentos dos envolvidos foram registrados pela Receita Federal e passados para Moraes e à Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicitou a busca e apreensão de quatro funcionários da Receita. Esses funcionários foram monitorados com tornozeleiras eletrônicas e tiveram seus passaportes cancelados.

Além dos dois servidores do Rio de Janeiro, um fiscal de Presidente Prudente (SP), Ricardo Mansano de Moraes, admitiu ter consultado os dados de uma enteada do ministro Gilmar Mendes, embora tenha alegado não ter acessado a declaração de imposto de renda dela.

Uma quarta servidora, Ruth Machado dos Santos, do Guarujá (SP), foi acusada de ter acessado os dados da advogada Viviane Barci de Moraes. Ela alegou, no entanto, que estava em atendimento presencial no momento do acesso registrado pelo sistema.

A investigação revela como a venda de dados confidenciais foi realizada de forma clandestina, mas com lucro para os envolvidos.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.