Fundador da Blackwater critica ataques dos EUA ao Irã e se diz “decepcionado” com Trump

Atualizado em 1 de março de 2026 às 22:35
Erik Prince, fundador da Blackwater. Reprodução

O fundador da Blackwater, Erik Prince, afirmou que não concorda com os ataques dos Estados Unidos ao Irã que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

Em entrevista ao estrategista de extrema direita Steve Bannon, Prince declarou que a operação não serviu aos interesses americanos e que está “decepcionado” com Trump.

A declaração foi feita no programa “War Room”, apresentado por Bannon, um dia após a ofensiva conjunta entre Estados Unidos e Israel que matou Khamenei e dezenas de integrantes do regime iraniano. Embora Bannon tenha classificado o resultado como “espetacular”, Prince demonstrou preocupação.

“Não estou satisfeito com tudo isso. Não acredito que tenha sido do interesse dos Estados Unidos”, disse. Segundo ele, a ação pode abrir espaço para instabilidade, caos e destruição dentro do Irã. Prince questionou quem assumirá o poder no país e afirmou que a decisão não está alinhada ao compromisso político de Donald Trump com a agenda nacionalista conhecida como MAGA.

Ex-integrante da Navy SEAL, tropa de elite da Marinha americana, antes de fundar a empresa militar privada Blackwater em 1997 — atualmente rebatizada como Constellis —, Prince também avaliou que é “ilusão” acreditar que a operação, chamada “Fúria Épica”, consiga derrubar o regime iraniano sem a presença de tropas em solo. Ele ressaltou ainda que três militares americanos morreram durante os ataques.

O nome SEAL é um acrônimo para Sea, Air and Land (Mar, Ar e Terra), indicando que esses militares são treinados para atuar em qualquer ambiente. Eles realizam missões de alto risco, como contraterrorismo, resgates, operações clandestinas, sabotagem, reconhecimento especial e ações diretas em território inimigo.

Em 2007, a Blackwater ganhou ampla notoriedade pelo massacre da Praça Nisour, em Bagdá, quando um grupo de seus mercenários matou 17 civis iraquianos e feriu outros 20. Quatro foram condenados nos Estados Unidos e posteriormente receberam perdão presidencial em 22 de dezembro de 2020, concedido por Donald Trump.

“Essas situações costumam ser resolvidas com combate terrestre. Não me recordo de um regime que tenha sido derrubado apenas com poder aéreo”, afirmou Prince.

As críticas ocorreram logo após Trump declarar à revista The Atlantic que integrantes remanescentes da liderança iraniana demonstraram interesse em retomar negociações com Washington. O presidente confirmou que aceitou conversar.

“Eles querem dialogar, e eu concordei. Vamos conversar”, disse. “Deveriam ter feito isso antes. Era algo prático e simples. Esperaram demais.”

Em entrevista à NBC News no domingo, o presidente americano reconheceu as três mortes de militares, mas afirmou que baixas eram esperadas e que, ao final, o resultado será positivo para o mundo.