
Hui Ka Yan, fundador da incorporadora chinesa Evergrande, recebeu prisão perpétua por fraude e desvio de fundos. A Justiça da China também determinou o confisco de todos os bens pessoais do bilionário, cuja condenação foi anunciada nesta quinta-feira (20).
O empresário admitiu em abril oito acusações criminais. Entre os crimes estão desvio de recursos, fraude na arrecadação de fundos e captação ilegal de depósitos públicos.
O tribunal de Shenzhen aplicou ainda multas de bilhões de yuans às empresas do grupo. A Evergrande terá de pagar 8,82 bilhões de yuans, cerca de US$ 1,31 bilhão.
A Hengda Real Estate, principal subsidiária da companhia, recebeu multa de 7 bilhões de yuans. Outros cinco diretores do grupo foram condenados a penas de prisão que variam de seis a 18 anos, além de multas pelo envolvimento no caso.

Colapso da incorporadora deixou dívida de US$ 300 bilhões
A Evergrande parou de pagar a maior parte de sua dívida, estimada em US$ 300 bilhões, a partir de 2021. Antes do colapso financeiro, a empresa ocupava a posição de maior incorporadora imobiliária da China.
A crise da companhia se tornou um dos principais retratos da deterioração do setor imobiliário chinês. O mercado de imóveis tem pressionado a economia do país, a segunda maior do mundo.
A condenação encerra a trajetória empresarial de Hui, que construiu uma das maiores companhias imobiliárias chinesas. A sentença, porém, não elimina as dívidas acumuladas pelo grupo.
Credores na China e no exterior ainda buscam recuperar valores devidos pela Evergrande, enquanto as multas e as penas contra ex-executivos avançam na Justiça chinesa.