Fundos do caso Master aparecem em investigação sobre o PCC

Atualizado em 9 de janeiro de 2026 às 14:03
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Reprodução

O Banco Central identificou que seis fundos de investimento suspeitos de integrar o esquema de fraudes atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, também aparecem nas investigações sobre a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) na economia formal.

Os fundos citados são Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna. Juntos, eles somam patrimônio líquido de R$ 102,4 bilhões, conforme dados da Comissão de Valores Mobiliários. Os nomes constam em denúncia enviada pelo Banco Central ao Ministério Público Federal (MPF).

Todos os seis fundos são administrados pela Reag, parceira histórica do banqueiro, e também surgem nas apurações da operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025 para investigar a atuação financeira do PCC em setores como combustíveis e mercado financeiro.

Na ocasião, a sede da Reag foi alvo de busca e apreensão. Entre os ativos mapeados está o Fundo Galo Forte, ligado ao Astralo 95, por meio do qual Vorcaro mantém participação no Clube Atlético Mineiro. A cadeia de investimentos também alcança debêntures da própria Reag, CDBs do Banco Master e até o imóvel usado por Vorcaro quando está em Brasília, segundo a apuração.

Operação Carbono Oculto. Foto: Foto Werther Santana/Estadão)

O Astralo 95 ainda detém certificados físicos de ações do antigo Banco do Estado de Santa Catarina, o Besc, incorporado pelo Banco do Brasil em 2008. Esses papéis, conhecidos como cártulas, representam ações de uma instituição extinta e têm liquidez limitada, o que chamou a atenção dos investigadores.

Em outro relatório enviado ao MPF, o Banco Central apontou falhas graves em operações realizadas entre julho de 2023 e julho de 2024 em dois fundos estruturados por Master e Reag. As suspeitas integram um conjunto maior de denúncias contra o banco, incluindo a revenda ao Banco de Brasília de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados inexistentes.

Segundo os investigadores, o esquema envolvia empréstimos do Master a empresas ligadas ao grupo, que aplicavam os recursos em fundos da Reag. Esses fundos compravam ativos de baixo valor por preços inflados, registrando ganhos artificiais no patrimônio. Os ativos supervalorizados circulavam entre fundos no mesmo dia, inflando os balanços.

A suspeita é que laranjas ligados a Vorcaro figurassem como titulares finais dos fundos, permitindo a lavagem de ao menos R$ 11,5 bilhões. Os recursos vinham de CDBs vendidos a investidores do Banco Master e sustentavam a ciranda financeira que levou à prisão preventiva do banqueiro, quando ele tentava deixar o país.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.