Fundos em Bahamas e Ilha de Jersey: como Master teria tentado enganar BRB

Atualizado em 7 de janeiro de 2026 às 8:27
Fachadas do Banco Master e do BRB. Foto: reprodução

O Banco Master ofereceu ao BRB fundos supostamente compostos por títulos do tesouro estadunidense localizados na Ilha de Jersey e em Nassau, nas Bahamas — e ambos se revelaram vazios. As diligências realizadas pelo BRB mostraram que os fundos simplesmente não tinham os ativos anunciados.

Em Jersey, não havia qualquer recurso desde 2023. Nas Bahamas, não foram encontrados papéis do tesouro, nem ações de grandes empresas, e o acesso ao conteúdo real foi negado pela administração local.

A descoberta ocorreu pouco antes de o Banco Central barrar a venda do Master ao BRB, ao identificar carteiras sem lastro que deram origem à Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de novembro. No mesmo dia, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master.

Segundo o Metrópoles, os investigadores afirmam que o banco teria usado uma empresa de fachada para captar e revender uma carteira de R$ 12,2 bilhões, sem desembolsar qualquer valor por ela.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master – Reprodução

Em depoimento à PF em 30 de dezembro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa afirmou que o Master tentou substituir a carteira podre por outros ativos, avaliados em R$ 10 bilhões. Os R$ 2 bilhões restantes estavam em negociação quando o BC interrompeu a operação. Entre os novos papéis estavam justamente os fundos de Jersey e das Bahamas, que agora são alvo de análise sobre sua liquidez real.

Costa será ouvido novamente em 3 de fevereiro. O ponto central para os investigadores é determinar quanto do valor oferecido pelo Master tinha lastro verdadeiro, o que definirá o tamanho do prejuízo do BRB. As apurações seguem sob sigilo no STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, e em investigação paralela no TCU.

Na segunda-feira (5), o ministro Jhonatan de Jesus determinou que o TCU faça inspeção no Banco Central para ter acesso aos documentos que embasaram a liquidação do Master. O BC recorreu, argumentando que a medida deve ser tomada pelo colegiado. A decisão agora aguarda deliberação formal.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.