
A primeira semana de prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi marcada por uma rotina de recuperação em casa, com fisioterapia diária, alimentação controlada e acompanhamento médico frequente, mas também por um acirramento da tensão entre Michelle Bolsonaro e os filhos do golpista. O ambiente de isolamento imposto pelas restrições judiciais mudou a dinâmica dentro da família e ampliou o peso político de quem permanece no entorno imediato do ex-mandatário.
Segundo o Globo, médicos têm ido à residência ao longo da semana para monitorar o quadro clínico de Bolsonaro. O cirurgião Brasil Ramos Caiado esteve no local nos últimos dias, e interlocutores afirmam que a evolução é estável dentro do esperado para a recuperação.
O ex-presidente passa a maior parte do tempo em uma cama reclinável, sob orientação para reduzir estímulos, com sessões de fisioterapia respiratória e cuidados constantes para evitar novas complicações. Já voltou a ingerir alimentos sólidos, mas segue proibido de consumir itens ácidos, como frutas cítricas, café e refrigerante. No dia a dia, tem assistido televisão por longos períodos, com foco em transmissões esportivas, especialmente jogos de futebol.
A condução dessa rotina ficou concentrada em Michelle, que assumiu os cuidados diretos, a organização do ambiente doméstico e o controle de acesso ao ex-presidente. Laura e Letícia, filhas da ex-primeira dama, também ajudam com medicação, alimentação e logística das visitas.

Esse novo arranjo, porém, elevou a tensão com os filhos mais velhos de Bolsonaro, em um momento em que ele está sem comunicação direta com aliados políticos e depende mais da mediação de terceiros.
O conflito ganhou contornos públicos no sábado passado, quando Eduardo Bolsonaro irritou Michelle ao afirmar, durante evento nos Estados Unidos, que havia produzido um vídeo para o pai. A declaração tocou em um ponto sensível, já que Bolsonaro está proibido de acessar celular e redes sociais na prisão domiciliar.
Ao mencionar o vídeo, Eduardo levantou a suspeita de que esse tipo de conteúdo poderia chegar ao ex-presidente, o que configuraria descumprimento das medidas impostas pela Justiça. Para conter o desgaste, Michelle divulgou nota afirmando que não havia recebido qualquer material.
URGENTE: o Eduardo Bolsonaro acabou de confessar durante o CPAC que estava GRAVANDO O VÍDEO E MOSTRANDO PARA O PAI, o que viola as medidas cautelares. O Alexandre de Moraes avisou que o Bolsonaro voltaria pra cadeia se fizesse isso. Este vídeo precisa chegar no Xandão. pic.twitter.com/zD8dGG2C2H
— Vinicios Betiol (@vinicios_betiol) March 29, 2026
No dia seguinte, Carlos Bolsonaro publicou uma mensagem enigmática em que criticou articuladores de uma suposta “união da direita” que, segundo ele, “não ajuda em nada e, pior, trabalha para prejudicar Bolsonaro”. Nos bastidores, aliados apontaram Michelle como alvo da postagem.
A resposta veio na quinta-feira, quando a ex-primeira-dama compartilhou um vídeo do senador Esperidião Amin, adversário direto de Carlos na disputa pelo Senado em Santa Catarina. A publicação foi lida no entorno do vereador como um recado direto em meio à disputa por espaço e protagonismo.
Até mesmo os relatos sobre a saúde passaram a refletir a divisão. Carlos, após visitar o pai na quarta-feira, disse que o quadro “continua se deteriorando”. Michelle, por sua vez, afirmou depois que os episódios de soluços deram uma trégua e que Bolsonaro está “animado” dentro das limitações.
A expectativa é que os três filhos homens visitem o ex-presidente neste sábado durante o feriado de Páscoa, no primeiro encontro mais amplo desde o início da domiciliar. No domingo, a tendência é de uma celebração mais restrita, apenas com Michelle e os moradores da casa.