
Luiz Fux reagiu nesta quinta-feira (9) às falas de ministros do STF sobre a situação política do Rio de Janeiro. Durante o julgamento sobre a escolha da próxima chefia do Palácio Guanabara, o ministro disse que há “bons políticos” no estado e declarou: “se esses políticos tiverem que ir para o inferno, eles vão acompanhados de altas autoridades”.
Antes disso, Gilmar Mendes afirmou no plenário que ouviu do diretor-geral da Polícia Federal o relato de que “32 ou 34 parlamentares” da Alerj receberiam “mesada do jogo do bicho”. Em seguida, o decano também disse: “Deus tenha piedade do Rio de Janeiro”. A fala de Gilmar entrou no debate depois de ministros associarem o quadro político fluminense à atuação de facções, milícias e do jogo do bicho.
Na sequência, Fux criticou o que chamou de descrédito generalizado sobre o Rio. Além disso, ele afirmou que alguns colegas talvez não demonstrassem a mesma “perplexidade” se tivessem participado de julgamentos como o “Mensalão”, a “Operação Lava Jato”, o caso do INSS e o Banco Master. Com isso, o ministro sustentou que os escândalos de corrupção não se concentram apenas no estado fluminense.
O ministro Luiz Fux, do STF, citou o caso do Banco Master, que envolve colegas da corte, para defender seu estado de origem, o Rio de Janeiro:
“Se políticos do RJ forem ao inferno, vão com altas autoridades.” pic.twitter.com/ZRjlJmFVhZ
— Pri (@Pri_usabr1) April 9, 2026
O embate ocorreu no julgamento sobre a forma de escolha do governador-tampão do Rio. Na quarta-feira (8), Cristiano Zanin votou por eleição direta, enquanto Fux abriu divergência e defendeu eleição indireta, a ser realizada pela Alerj. O caso chegou ao Supremo depois da condenação de Cláudio Castro à inelegibilidade no TSE e da renúncia do então governador para tentar disputar o Senado.
Nesta quinta-feira (9), Flávio Dino pediu vista e suspendeu a análise. Ainda assim, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Cármen Lúcia anteciparam seus votos e acompanharam Fux. Dessa forma, o placar ficou em 4 a 1 a favor da eleição indireta antes da interrupção do julgamento.
Agora, o STF só deve retomar o caso depois da publicação do acórdão do TSE sobre Cláudio Castro. Até lá, Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, segue no comando interino do estado.