“Gabinete paralelo” que levava dados da Prevent Senior ao governo se baseou em charlatão americano

Paulo Zanotto em reunião do “gabinete da sombra” da Saúde

O Metrópoles conta que o protocolo usado pela Prevent Senior para administrar medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19 em cobaias humanas teve acompanhamento do governo federal. 

Um vídeo (no pé deste artigo) mostra que o “kit Covid” distribuído pela empresa foi desenvolvido com a ajuda de pelo menos um membro do “gabinete paralelo” da Saúde. 

Nas imagens, o virologista Paolo Zanotto, mentor do “shadow board”, conversa com o diretor-executivo da Prevent Senior Pedro Batista Jr. 

Segundo Zanotto, dois membros do bando estavam “em Brasília neste momento conversando com o alto escalão do governo brasileiro”.

A alturas tantas, o sujeito fala de um charlatão americano de origem ucraniana para justificar uma superdose de zinco. “Quando a gente estava olhando a questão do uso do zinco, a gente achou que tinha um erro tipográfico”, diz Zanotto. 

“Alguns dos protocolos que fomos comparar tinham 220mg. A gente ficou muito preocupado com isso, porque a dose recomendada é no máximo 20mg”. 

É o que manda o doutor Vladimir Zelenko, de acordo com Zanotto, que não esconde sua emoção ao falar do homem.

Doutor Vladimir Zelenko

Aos 48 anos, oito filhos, Zelenko criou um “protocolo” misturando hidroxicloroquina, o antibiótico azitromicina e o tal sulfato de zinco. 

Alegava ter curado 100% dos pacientes com o coronavírus da comunidade onde mora sem hospitalização. Não há evidências de que essa pesquisa tenha realmente sido realizada a não ser a palavra do próprio médico. Nunca foi publicada em nenhuma revista da área.

Conhecido na comunidade judaica ortodoxa americana, Zelenko ganhou fama global ao ter o método de tratamento divulgado por Trump, para quem enviou uma carta. 

Em seu perfil no Twitter, Bolsonaro divulgou uma entrevista feita por Rudolph Giuliani, advogado de Donald Trump, com Zelenko. 

Bolsonaristas inventaram que ele foi indicado ao Nobel da Paz.

Facebook, Youtube e Twitter retiraram conteúdo gerado por ele por violarem os termos das plataformas. Com sua barba de pantaneiro americano e cara de druida picareta, foi citado pelo “Skeptical Scalpel”, que ironiza profissionais que “contribuem para o retrocesso da ciência”. 

É a cara do Brasil.