Gays e pessoas sem filhos se importam menos com o futuro da humanidade?

Foi o que disse um historiador britânico numa conferência, referindo-se às teorias econômicas de John Maynard Keynes.

Keynes: Ele disse que "a longo prazo, estaremos todos mortos" porque era homossexual e estéril
Keynes: “A longo prazo, estaremos todos mortos”

 

O historiador britânico Niall Ferguson, acadêmico celebridade, professor de Harvard, se meteu em uma fria feliciana. Numa conferência na Califórnia para 500 investidores, Ferguson foi questionado sobre a filosofia do economista John Maynard Keynes, autor da famosa máxima: “a logo prazo, estaremos todos mortos”. Ferguson, que já foi considerado pela Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, disse que as teses de Keynes eram furadas porque ele não se importava com as gerações futuras, já que era gay e não tinha filhos.

“Keynes era homossexual e casado com uma bailarina, com quem ele mais falava sobre poesia do que procriava”, disse Fergurson.

A plateia ficou muda de espanto.

“Keynes não tinha intenção de ter filhos. Nós não morremos a longo prazo… nossas crianças são nossa progênie. Os ideais econômicos de Keynes nos levaram aos problemas que temos hoje”. Ele ainda disse que a visão de mundo de Keynes era egoísta porque ele era um membro estéril da sociedade.

O que Niall Ferguson declarou, basicamente, é que gays e gente que não tem filho se importa menos com a humanidade. Segundo o New York Times, levou o discurso da homofobia a um novo patamar. O site Business Insider afirmou que “é a primeira vez que se vê um acadêmico respeitável relacionar as crenças de um economista a sua situação pessoal e não a sua pesquisa”. É o mesmo que dizer que a ideologia de Ferguson é baseada no fato de ele ser rico e, portanto, não se importar com o sofrimento de pessoas pobres ou desempregadas.

Diante da reação negativa, Ferguson publicou um mea culpa:

“Durante uma recente sessão de perguntas e respostas em uma conferência na Califórnia, fiz comentários sobre John Maynard Keynes que eram tão estúpido quanto insensíveis. Eu tinha sido convidado a comentar a famosa observação de Keynes: ‘A longo prazo, estaremos todos mortos.’ O ponto da minha apresentação foi a de que, a longo prazo, os nossos filhos, netos e bisnetos estarão vivos e terão de lidar com as conseqüências de nossas ações econômicas.

Mas eu não deveria ter sugerido que Keynes era indiferente porque ele não tinha filhos ou porque era gay. Isso foi duplamente estúpido.

Os meus colegas, alunos e amigos – heteros ou gays – têm todo o direito de se decepcionar comigo. A eles, e a todos que ouviram meu discurso na conferência, eu peço profundas desculpas.”

Respeitado, influente e inteligente, Niall Ferguson está longe de ser um Lobão. Cometeu um ato falho acadêmico? Seu amigo, o blogueiro Andrew Sullivan, livrou sua cara. “Se ele realmente acredita que gays não tem interesse nas gerações futuras, por que teria me convidado, um gay com HIV, a ser padrinho de seus filhos? E por que eu teria aceitado?”

Ferguson: foi mal aí
Ferguson: foi mal aí

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