Gays: não se casem

O casamento entre pessoas do mesmo sexo chegou com uns 50 anos de atraso.

Escondam-se, a justiça legalizou o casamento gay. Preparem-se para receber uma enxurrada de convites para as festas mais escandalosas que vocês já viram. Corram para trás da cortina. Evitem contato com o mundo exterior. Mudem de endereço, se possível. Verdade seja dita, casamento é muito cafona. Mas se todo casamento já é um pouco ridículo, temo o que seria então um casamento gay. Penso nos bonecos de biscuit dos noivos em cima do bolo e quase tenho uma convulsão.

Convenhamos, se tem uma instituição que está fora de moda é o casamento. Poucas coisas são mais retrógradas. Talvez a Marina Silva. E não sou eu quem digo isso. É o que os psicólogos, filósofos, sexólogos e Regina Navarro Lins tentam nos convencer há anos. Se o casamento ainda se mantém no século XXI, é porque usa o apoio de muletas.

E agora, em 2013, os cartórios do Brasil inteiro são obrigados a realizar o que chamam de casamento igualitário. O problema é que chegou um pouco tarde, depois da hora, quando o casamento, cada vez menos, faz algum sentido na sociedade. A justiça entrega aos homossexuais o direito de casar quando isso é mais desvalorizado do que um título de capitalização. É como se uma criança que sempre pediu um videogame de Natal finalmente ganhasse um Atari – mas no ano de 2013 – e já com 30 anos. O casamento gay chega com pó e cheirando a naftalina.

É engraçado como uma instituição tida como uma das mais ultrapassadas, quando é vista sob outra perspectiva, passa a ser moderninha. Porque até então uma moça que em pleno ano de 2013 dissesse sonhar em arrumar um marido e se casar não seria chamada de outra coisa se não de Amélia, retrógrada e atrasada. Ridicularizar o sonho da moça é permitido e até incentivado. Já a vontade de um gay de se casar é, por algum motivo que me escapa no momento, considerada uma atitude moderna e revolucionária. E ai de alguém dizer qualquer coisa de um rapaz gay que sonha em se casar. Ora, decidam-se!

Se tem um avanço que vejo no casamento igualitário é que, a partir de agora, os gays também poderão ser chamados de retrógrados e atrasados. Casamento é igualitário por causa disso: agora tanto os gays quanto os heterossexuais poderão ser ridicularizados igualmente pelos amigos solteiros no bar.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo chegou com uns 50 anos de atraso. Casamento, hoje em dia, tem mais a ver com divisão de bens do que qualquer outra coisa. E a última instância que deveria se meter no que uma pessoa faz com o dinheiro dela, se a herança vai para o namorado com quem viveu durante anos ou para um parente que nunca viu, deveria ser o estado. Que a legalização do casamento gay não seja uma maneira de o governo querer controlar mais nada. Que se encerre no direito de um homossexual fazer o que bem entender com o plano de saúde e o nome dele. O que uma pessoa faz com o dinheiro sempre deveria ter sido um direito dela.

Mas paremos um pouco de achar que o casamento, só porque recebe o nome de igualitário, é mais moderninho. Não é. O que chamam de casamento igualitário nada mais é do que o direito de ser retrógrado estendido aos homossexuais.

O jornalismo do DCM precisa de você para continuar marcando ponto na vida nacional. Faça doação para o site. Sua colaboração é fundamental para seguirmos combatendo o bom combate com a independência que você conhece. A partir de R$ 10, você pode fazer a diferença. Muito Obrigado!