General brasileiro assumirá posto no Comando Sul do Exército dos Estados Unidos

Southcom tem com tarefa defender a política de segurança dos EUA na América Central, América do Sul e o Caribe (Foto: Divulgação)

Publicado originalmente no Sul21

O Almirante Craig S. Faller, chefe do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos, revelou que um general brasileiro assumirá, ainda este ano, o posto de vice-comandante de interoperabilidade do Exército Sul norte-americano, o primeiro oficial brasileiro a ocupar esse posto e a ficar subordinado à cadeia de comando dos militares dos EUA. O anúncio foi feito dia 9 de fevereiro durante depoimento do almirante Craig Faller ao Comitê sobre Forças Armadas do Senado dos EUA. O Comando do Sul das Forças Armadas dos EUA (SOUTHCOM) integra tropas do Exército, da Força Aérea, da Marinha e da guarda costeira dos Estados Unidos e tem com tarefa defender a política de segurança dos EUA na América Central, América do Sul e o Caribe.

No documento de 20 páginas entregue aos senadores (ver íntegra abaixo), o almirante detalha a estratégia dos militares dos EUA para a América Latina, apontando países aliados e inimigos a serem combatidos. Entre os aliados, Faller destaca Colômbia, Brasil e Chile como parceiros para uma estratégia de segurança regional e global. Entre os inimigos, o documento cita nominalmente Rússia, China, Irã, Venezuela, Cuba e Nicarágua como ameaças aos interesses dos Estados Unidos na região. Esses países, diz o documento, e “um sistema de ameaças inter-relacionadas desafiam a segurança de nossos parceiros e da região”. E acrescenta: “Enfrentar esses desafios requer esforços de todo o governo (dos EUA), liderados por nações parceiras em um ritmo que possam sustentar, para fortalecer as instituições democráticas e expandir as oportunidades econômicas. Muitas vezes, melhorar a segurança é o primeiro passo”.

Rússia e China, afirma ainda o relatório apresentado aos senadores norte-americanos, “estão expandindo sua influência no Hemisfério Ocidental, muitas vezes à custa dos interesses dos EUA”. O documento cita ações apoiadas por estes países na Venezuela, Nicarágua e Cuba que “a segurança e a prosperidade hemisférica”. “As ações desses três estados, por sua vez, prejudicam a estabilidade e o progresso democrático em toda a região. Como principal patrocinador estatal do terrorismo no mundo, as atividades do Irã na região também são preocupantes”. Sem entrar em maiores detalhes, Craig Faller menciona uma recente ação de autoridades brasileiras que teriam prendido um membro importante do grupo libanês Hezbolah na fronteira Sul do Brasil.

Ainda segundo o chefe do Comando Sul, a “Rússia continua a usar a América Latina e o Caribe para espalhar desinformação, coletar informações sobre os Estados Unidos e projetar poder”. O envio de dois bombardeiros com capacidade nuclear pela Rússia para a Venezuela, cita, “foi planejado como uma demonstração de apoio ao regime de Maduro e como uma demonstração de força aos Estados Unidos”.

Em relação a China, Faller diz que muitos países estão começando a reconhecer a “ameaça que é hipotecar o seu futuro para a China”. Segundo ele, a China adota práticas de empréstimos “predatórios e não transparentes” para exercer influência política e econômica na região. O militar destaca que a China prometeu cerca de R$ 150 bilhões em empréstimos para diversos países do hemisfério Sul.

O documento afirma ainda que as Forças Armadas brasileiras se unirão este ano a uma rede logística para apoiar possíveis ações militares dos EUA na região. Hoje, “quando o apoio militar dos EUA é necessário”, assinala o informe, há uma base em Honduras que fornece “flexibilidade operacional e agilidade”. Em 2018, oficiais chilenos e colombianos foram integrados a essa rede de suporte. “O Brasil se unirá ao SPMAGTF (Special Purpose Marine Air-Ground Task Force) este ano, além de liderar nosso exercício naval multinacional UNITAS AMPHIB”, anuncia.

Isso permitirá, assinala, o “estabelecimento de uma força-tarefa multinacional para apoiar a resposta humanitária, uma capacidade que não empregamos desde o terremoto no Haiti em 2010”. E acrescenta: “Com base nessa iniciativa, estamos trabalhando com aliados e parceiros para desenvolver um conceito para uma força-tarefa multinacional capaz de agir em diferentes escalas e que trabalha dentro das estruturas de cooperação de segurança existentes para melhorar nossa capacidade coletiva de responder rapidamente às crises”.

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