General francês detona plano do governo Trump no Irã: “Parem de cheirar cocaína”

Atualizado em 3 de abril de 2026 às 23:04
O general Michel Yakovleff, durante participação em jornal francês. Foto: Reprodução/X

Um general francês fez duras críticas ao governo de Donald Trump após a divulgação de um plano considerado absurdo: a construção de uma pista de pouso no Irã para transporte de urânio, em meio à intensificação dos bombardeios contra o país.

O general Michel Yakovleff não poupou palavras e disparou: “As autoridades americanas deveriam parar de cheirar cocaína entre reuniões”, ironizando o que classificou como uma ideia sem precedentes e completamente desconectada da realidade.

Não foi a primeira crítica contundente do militar. Em declarações anteriores, Yakovleff já havia comparado a possibilidade de aliados entrarem na guerra unilateral liderada por Trump contra o Irã a “comprar passagens baratas para o Titanic depois de bater no iceberg”.

As declarações surgem poucos dias após o presidente francês Emmanuel Macron endurecer o tom contra Washington. Respondendo às críticas de Trump, Macron reafirmou publicamente a recusa da França em participar de operações para garantir a segurança do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.

“Não cabe a mim comentar uma operação decidida apenas pelos americanos com os israelenses. Eles podem se arrepender de não terem apoio em algo que decidiram sozinhos. Esta não é a nossa operação”, declarou Macron durante visita oficial à Coreia do Sul.

O líder francês reforçou que qualquer solução para o conflito com Teerã deve passar pela diplomacia, e não pelo uso da força. Segundo ele, apenas um acordo político poderá garantir a segurança da navegação na região.

A tensão no Estreito de Ormuz tem aumentado nas últimas semanas, com embarcações iranianas atacando petroleiros estrangeiros. O cenário já provoca uma crise energética global, impulsionando a alta nos preços do petróleo desde o fim de fevereiro.

Macron também alertou para os impactos econômicos do conflito e criticou a instabilidade nas declarações americanas. “Precisamos ser sérios. Não podemos dizer uma coisa em um dia e o oposto no outro. Talvez também não seja necessário falar todos os dias. É preciso acalmar a situação”, afirmou.

Enquanto diversos países da OTAN resistem aos apelos dos EUA por apoio militar, integrantes do governo Trump já cogitam até mesmo uma possível saída da aliança transatlântica.

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