General russo fica em estado crítico após ser baleado em Moscou

Atualizado em 6 de fevereiro de 2026 às 10:26
O tenente-general Vladimir Alekseyev, vice-diretor da agência de inteligência militar da Rússia. Foto: AFP

O vice-diretor da agência de inteligência militar da Rússia, Vladimir Alekseyev, foi alvo de um atentado a tiros nesta sexta-feira (6), em Moscou, elevando a tensão em torno da segurança de altos quadros do aparato militar russo em meio à guerra contra a Ucrânia. O tenente-general foi baleado diversas vezes na escada do prédio onde mora, na Rodovia Volokolamskoye, no noroeste da capital, e encaminhado em estado crítico a um hospital da cidade.

Segundo informações divulgadas pela mídia local, um homem armado efetuou vários disparos contra Alekseyev dentro do edifício residencial e fugiu logo em seguida. Até o momento, a identidade do atirador não foi divulgada. O caso está sob investigação do Comitê de Investigação de Moscou, órgão responsável por apurar crimes de grande repercussão no país.

A tentativa de assassinato reacende alertas no Kremlin devido ao histórico recente de ataques contra oficiais de alto escalão. Porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov afirmou que o episódio evidencia o grau de risco enfrentado por figuras estratégicas.

“Está claro que oficiais militares e especialistas altamente qualificados estão sob ameaça em tempos de guerra. Mas não é responsabilidade do Kremlin discutir como garantir sua segurança. Esse é o trabalho dos serviços especiais”, declarou em coletiva de imprensa.

Alekseyev em reunião com Putin. Foto: reprodução

Alekseyev é um dos principais nomes do GRU, o serviço de inteligência ligado ao Ministério da Defesa, e figura de confiança do presidente Vladimir Putin. Ele teve papel central no fornecimento de informações que embasaram a invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022, e integrou o grupo enviado para negociar com Yevgeny Prigozhin durante o motim do Grupo Wagner, em 2023.

Embora nenhuma autoria tenha sido reivindicada, parlamentares e autoridades russas passaram a direcionar suspeitas a Kiev. Desde o início do conflito, ataques contra oficiais russos vêm sendo atribuídos à Ucrânia, incluindo ações que resultaram em mortes de comandantes militares. No ano passado, ao menos três operações desse tipo foram creditadas às forças ucranianas.

O contexto diplomático também ampliou a repercussão do atentado. Um dia antes do ataque, representantes da Rússia e da Ucrânia se reuniram em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, em negociações mediadas pelos Estados Unidos sobre um possível acordo de paz. Para o deputado Alexei Zhuravlev, o episódio teria motivação política.

“Um atentado contra a vida de Alekseyev é a melhor forma de desviar o foco das negociações, e a única pessoa que se beneficia dessa situação é Volodymyr Zelensky”, afirmou.

O chanceler russo Sergei Lavrov também acusou a Ucrânia de tentar sabotar as tratativas diplomáticas com o ataque, sem apresentar provas. O governo de Kiev, liderado por Volodymyr Zelensky, não comentou o caso até a última atualização.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.