Geraldo Alckmin é o candidato do governo, confirma Temer

Reunião do Conselho do CNPEM (Campinas – SP, 15/02/2018) Presidente da República Michel Temer acompanhado do Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, durante reunião do Conselho do CNPEM. Foto: Beto Barata/PR

Na entrevista que concedeu entrevista ao repórter Bruno Boghossian, da Folha de S. Paulo, Michel Temer confirmou que o candidato do governo é Geraldo Alckmin. “‘Quem o governo apoia?’. Parece que é o Geraldo Alckmin, né? Os partidos que deram sustentação ao governo, inclusive o PSDB, estão com ele”, disse. Não respondeu se teme ser preso. Leia os principais trechos da entrevista:

A maioria das siglas de sua base apoia Alckmin e não Meirelles, do seu partido. Por quê?

Evidentemente eu não iria obrigá-los a apoiar o candidato do governo —do MDB. Aliás, o Alckmin recebeu críticas porque tem o apoio de todos. Se você dissesse: “quem o governo apoia?”. Parece que é o Geraldo Alckmin, né? Os partidos que deram sustentação ao governo, inclusive o PSDB, estão com ele.
Vou ter cautela para não fazer campanha para um ou outro. Até porque falam muito da impopularidade. Não quero nem incomodar, digamos.

(…)

O sr. disse que Alckmin parece ser candidato do governo. É um fato? Pode vir a ser fato. Primeiro pelo que ouço ele declarar. Segundo porque esses que ajudaram a fazer as reformas vão estar no governo se ele ganhar. Quem for eleito não vai conseguir se afastar do que começamos.

Mas Alckmin se descola do seu governo. Diz que quem o escolheu como vice foi o PT. Faz parte do jogo eleitoral. Não tenho crítica ao que ele diz.

Seus ministros pediram que os partidos aliados não apoiassem Ciro Gomes. Por quê? Foi sabedoria da base. As pessoas veem esse cidadão… Como é o nome? Ciro Gomes, Ciro Gomes… Veem esse cidadão dizendo barbaridades sobre o governo e no plano pessoal. Eles próprios raciocinaram e disseram: “não podemos ir com alguém que vai destruir o que fizemos”.

A candidatura do PT representa o mesmo? Representa um pensamento que é naturalmente oposição ao que fizemos. Quando assumimos, o PT fez oposição acirrada, para não dizer feroz.

O ex-presidente Lula deveria disputar a eleição? Não acompanho os autos. Se não estivesse impedido legalmente, poderia participar. Temos que respeitar certas instituições. Falo isso embora o PT fale muito mal de mim. Lula foi presidente. Se cometeu equívocos, são analisáveis pelo Judiciário. Mas não se pode negar alguém que exerceu a Presidência.

(…)

Tem preocupação com o que ocorrerá quando deixar o cargo? Nenhuma. É possível que quando eu deixe a Presidência [eles pensem]: “esse sujeito não é mais nada, vamos abandoná-lo”. Mas o processo deve prosseguir. Tenho convicção da inadequação.

Recentemente, perguntado se temia ser preso, o sr. disse que achava uma indignidade falar do assunto. Se me permite, registre que a pergunta é ofensiva. Uma inadequação absoluta. As instituições perderam significado e as pessoas perderam respeito. Por isso você faz essa pergunta. Não é culpa sua, é culpa de quem investiga e faz perguntas inadequadas, passa informações. O interesse é alimentar a imprensa, não concluir o inquérito. É deixar no ar.

O que pensa da ideia de conceder foro privilegiado para ex-presidentes? É decisão do Congresso, nem dou palpite. O fato é que o ex-presidente, quando responde por um fato, não responde como pessoa, responde como instituição. Pela lógica, talvez coubesse a hipótese, mas nem discuto.

(…)

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