Gestão Nunes paga quase o triplo por terreno em SP após laudo indicar valor bem menor

Atualizado em 15 de abril de 2026 às 9:22
O antigo terreno da Agro Castanheiras, adquirido pela Prefeitura de São Paulo. Foto: Divulgação/ Folhapress

A Prefeitura de São Paulo pagou R$ 26,3 milhões pela desapropriação de um terreno de 138 hectares no distrito do Grajaú, na zona sul, valor quase três vezes superior ao estimado em parecer técnico interno. O documento apontava que a área poderia custar cerca de R$ 9,1 milhões, considerando valores atualizados pela inflação.

A desapropriação foi oficializada em dezembro de 2024, no último mês do primeiro mandato do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O terreno integra o projeto de criação da primeira floresta municipal da cidade, a Fazenda Castanheiras.  A zona Sul é a região em que o prefeito mora e se criou.

Segundo o parecer elaborado em 2020, o valor médio da terra na região era de R$ 46 mil por hectare, com base em dados de IPTU, ITR e pesquisa com corretores locais. O mesmo documento indicava que o imóvel estava sendo ofertado por valores ainda menores, entre R$ 4 milhões e R$ 5,7 milhões em valores atualizados.

Mapa mostra o terreno na região do Grajaú, na zona sul de SP. Foto: Prefeitura de São Paulo

Apesar disso, a prefeitura contratou laudo que levou em conta um cenário de “empreendimento hipotético” para calcular o valor da área, com base na possibilidade de construção de chácaras. Esse método foi considerado questionável por especialista consultado, já que o zoneamento ambiental da região impõe restrições a esse tipo de uso.

Além da diferença de valores, há registro de que o proprietário teria oferecido o terreno por R$ 14 milhões durante reunião em 2025, proposta que não foi aceita. A própria administração municipal utilizou laudo que fixou o valor em R$ 26 milhões para justificar a desapropriação.

Em nota, a prefeitura afirmou que o valor pago considerou o mercado atualizado, o zoneamento ambiental e 37 benfeitorias existentes no local. A gestão também declarou que o parecer de 2020 era preliminar e não poderia ser usado como base de comparação.

Francine Eustaquio
21 anos. Trabalha no DCM desde 2025. Interessada em política, cultura e temas sociais, dedica-se à produção de conteúdo informativo e otimizado para o público digital. Aprecia leitura, cinema e música, além de explorar novos destinos e experiências gastronômicas nas horas vagas.