
O Banco Master volta ao centro de mais uma crise após o gestor Vladimir Timerman afirmar que está quebrado em meio à guerra judicial travada depois de anos de denúncias sobre fraudes, manipulação e relações obscuras no mercado financeiro. Dono da Esh Capital, ele disse à Folha que não consegue mais bancar a própria segurança privada e que hoje depende da ajuda de amigos para circular protegido, num cenário que expõe o rastro de destruição deixado pelo escândalo. Com informações da Folha.
Timerman depôs na CPI do Crime Organizado e retomou acusações que há anos vinham sendo tratadas como exagero por parte do mercado. Segundo ele, o Master operava cercado de interesses ocultos, manobras societárias e conexões que iam muito além da figura pública de Daniel Vorcaro. Um dos alvos de suas declarações foi o empresário Nelson Tanure, apontado por Timerman como nome central por trás da instituição liquidada. Tanure nega qualquer vínculo e diz que o gestor fez apenas “ilações”.
A trajetória de Timerman se cruzou com a de Tanure nas disputas envolvendo a antiga Alliar, hoje Alliança Saúde, e depois avançou para novos conflitos em torno da Gafisa. Foi nesse ambiente que o dono da Esh intensificou as denúncias sobre insider trading, uso de estruturas empresariais para blindagem e desvio de recursos. Parte dessas acusações acabou arquivada, mas outras ganharam novo peso depois da derrocada do Master e da Operação Compliance Zero.

O ponto mais explosivo está justamente aí: durante anos, alertas sobre o Banco Master circularam sem resposta efetiva dos órgãos de controle. Timerman afirma que vinha denunciando irregularidades desde 2023 ao Banco Central e à Polícia Federal, sem que houvesse reação proporcional à gravidade do que relatava. Só depois da liquidação da instituição e do avanço das investigações o caso passou a ser tratado como um escândalo de grandes proporções.
Enquanto isso, a Esh Capital afundou. A gestora, que já esteve perto de R$ 1 bilhão sob gestão, encolheu até restarem apenas R$ 12,5 milhões em fevereiro de 2026. Segundo Timerman, a queda foi provocada pela desvalorização de ativos, pelo bloqueio judicial do fundo Esh Theta e pela fuga de cotistas assustados com a crise. A medida cautelar ainda travou novos aportes e atingiu diretamente o patrimônio dos investidores.
O caso mostra como a engrenagem que cercava o Master não atingiu apenas seus operadores diretos, mas também quem entrou em rota de colisão com esse universo. Timerman responde a processos, recorre de condenações e diz ter sido alvo de ações destinadas a quebrá-lo financeiramente e destruir sua reputação. Em meio ao colapso, também relatou ameaças anônimas de morte, o que reforçou o clima de intimidação no entorno das denúncias.
Na CPI, o relator Alessandro Vieira afirmou que o depoimento do gestor era peça importante para entender o funcionamento do esquema investigado. A avaliação reforça a dimensão política e institucional do caso: não se trata apenas da ruína de um banco, mas de mais um retrato da promiscuidade entre dinheiro, poder e impunidade no sistema financeiro brasileiro. O Master, que por anos circulou com desenvoltura entre figuras influentes, agora deixa para trás um passivo que vai muito além das cifras.
Longe de qualquer romantização, o que a história de Timerman revela é o tamanho da sujeira. Seu relato não o transforma em herói, mas ajuda a iluminar o subterrâneo de um mercado em que denúncias graves foram ignoradas até que o escândalo se tornasse impossível de esconder. No centro de tudo, o Banco Master virou símbolo de um modelo de negócios cercado por suspeitas, blindagens e relações que agora começam a vir à tona.