
Um grupo de WhatsApp articulado por gestores com cargos comissionados no governo de Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina, reúne mensagens de teor nazista e ameaças de perseguição a profissionais da educação identificados com a esquerda. A denúncia foi publicada nesta sexta-feira (30) pela jornalista Amanda Miranda, em sua coluna no ICL Notícias, que afirma ter tido acesso a capturas de tela das conversas.
O grupo se chama “Educação em Ação” e compartilhou mensagens de ódio no domingo (25), dia do segundo turno. Uma delas trazia uma imagem de Adolf Hitler acompanhada da frase “Hans, Liga o Gás”, em alusão ao extermínio de judeus no Holocausto.
Os registros incluem propostas de fazer listas de educadores e servidores que parecessem associados à esquerda. Um participante sugeriu identificar petistas e levar os nomes ao governador para retirá-los do meio. Outros se ofereceram para listar colegas e falaram em “caçar traidores”.
O grupo foi criado em maio de 2026, com uma mensagem de boas-vindas de um assessor especial da Gerência de Desenvolvimento Profissional. Servidores apontam o setor, ligado à Diretoria de Gestão de Pessoas, como um espaço de monitoramento e intimidação.
Entre as primeiras mensagens, uma enviada durante o expediente de 7 de maio solicitava a participação dos integrantes em um evento em Florianópolis com Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Caroline de Toni e Jorginho Mello. Os destinatários deveriam preencher uma ficha de inscrição.

Profissionais ouvidos pela coluna disseram ter sofrido cobranças para reunir equipes e participar de atividades de campanha, sob ameaças veladas de remoção ou desligamento. A reportagem também descreve receio entre professores deslocados das escolas para funções administrativas de serem devolvidos às unidades de origem por não apoiar a gestão.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de Ensino de Santa Catarina, Elivane Secchi, afirmou ao ICL que nenhum professor pode ser silenciado por exercer a liberdade de pensamento e expressão. Ela orientou os profissionais a reunir provas de ameaças e constrangimentos, registrar ocorrência e formalizar denúncias nos órgãos competentes.
Neto Puerta, da coordenação do Fórum Catarinense de Defesa do Serviço Público, também relatou denúncias de servidores sobre aparelhamento das estruturas estaduais. Na avaliação dele, a estabilidade no serviço público é necessária para proteger trabalhadores de perseguição política.
Sem ter acessado as mensagens, o advogado eleitoral Rodrigo Burgos de Azevedo Mangabeira disse à coluna que a conduta do grupo e de seus articuladores pode se enquadrar em proibições eleitorais, a depender do conteúdo e da dinâmica das conversas. O especialista citou a vedação ao uso do trabalho de servidores em campanhas durante o expediente, salvo quando licenciados.