Gilmar: “Moro não priorizou o caso Marielle, por razões que só Deus ou o Diabo devem saber”

Atualizado em 9 de abril de 2026 às 18:53
O ministro Gilmar Mendes. Foto: Divulgação

O ministro Gilmar Mendes afirmou, durante sessão do Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira (9), que o senador Sergio Moro não deu prioridade às investigações do assassinato de Marielle Franco quando comandou o Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro.

A declaração ocorreu durante julgamento que discute o modelo de eleição para o governo do Rio de Janeiro. Segundo o decano do STF, as investigações avançaram apenas após a mudança no comando da pasta.

Ele citou a atuação de Flávio Dino como ponto de virada no caso. Mendes também mencionou entraves institucionais que impediram a federalização das investigações em momento anterior.

“Graças à intervenção federal no tema foi elucidado. Intervenção federal que foi impedida de se fazer num dado momento”, disse Mendes. “É bom que se remarque. O STJ não aceitou a transferência da matéria para a justiça federal, a federalização do caso, porque o que isso traria uma má imagem, uma má nota para a justiça do Rio. E o fato foi investigado no Rio de Janeiro, continua sendo investigado no Rio de Janeiro e os resultados são conhecidos. Isso só muda quando o ministro [Flávio] Dino assume o Ministério da Justiça. Diga-se de passagem por lá passou o juiz [Sérgio] Moro que não colocou prioridade na investigação do caso Marielle, por razões que o Diabo ou Deus devem saber.”

O caso Marielle Franco voltou ao centro do debate após o STF concluir, em fevereiro, o julgamento dos envolvidos no assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes. As penas aplicadas variam de 9 a 76 anos de prisão, conforme decisão da Corte.

Entre os condenados está Domingos Brazão, sentenciado a 76 anos e três meses de reclusão, além de multa. O ex-deputado Chiquinho Brazão recebeu pena idêntica. Já Ronald Paulo de Alves foi condenado a 56 anos de prisão.

Também foram condenados Rivaldo Barbosa, com pena de 18 anos, e Robson Calixto Fonseca, que recebeu 9 anos de reclusão. Todos cumprirão pena em regime inicial fechado.

Além das penas, o STF determinou o pagamento de indenização de R$ 7 milhões por danos morais às famílias das vítimas. A decisão também incluiu a perda de cargos públicos de parte dos condenados e a suspensão de seus direitos políticos por até oito anos após o cumprimento das penas.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.