Gleisi reage à Folha e diz que manchete ecoa discurso contra a abolição

Atualizado em 22 de fevereiro de 2026 às 17:02
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Foto: Divulgação

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, contestou neste domingo (22) a reportagem da Folha de S.Paulo intitulada “Brasileiro trabalha menos que a média mundial; veja rankings”. A manifestação ocorreu nas redes sociais, em meio ao debate sobre a redução da jornada semanal e o fim da escala 6×1, proposta em discussão no Congresso Nacional.

Em publicação na plataforma X, a ministra questionou a abordagem adotada pelo jornal ao tratar dos dados sobre horas trabalhadas no Brasil. “Reservar pelo menos dois dias por semana para cuidar da família e da própria vida é um direito que a Folha não quer reconhecer e ainda por cima tenta estigmatizar como preguiça. É o mesmo preconceito dos que foram contra a abolição do trabalho escravo dois séculos atrás”, escreveu.

Gleisi também afirmou que a cobertura faz parte de uma reação contrária à proposta de mudança na legislação trabalhista. “A campanha da Folha contra o fim da escala 6×1 chegou ao extremo de tachar como preguiçosos os trabalhadores brasileiros na manchete deste domingo. Se for mesmo verdadeiro que o tempo médio de trabalho no país seria de 40,1 horas por semana, como diz estudo citado pelo jornal, qual seria o problema de reduzir na lei a jornada de 44 para 40 horas semanais? Mas o fato é que esta não é a realidade para milhões”.

A discussão está diretamente ligada ao projeto encaminhado pelo governo do presidente Lula, que propõe alterar o modelo atual de seis dias de trabalho e um de descanso. A proposta integra o conjunto de medidas defendidas pelo Executivo para modificar a organização da jornada de trabalho no país.

Na reportagem mencionada, a Folha afirma que “em comparação com o resto do mundo, o brasileiro não trabalha muito. Nem pode ser considerado particularmente esforçado”. O texto informa que a análise se baseia em estudo conduzido pelo economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, utilizando banco de dados global de horas trabalhadas organizado pelos economistas Amory Gethin, do Banco Mundial, e Emmanuel Saez, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Segundo o jornal, os dados apontam relações entre características demográficas, carga tributária, transferências governamentais, renda per capita e número de horas trabalhadas. Ainda de acordo com a matéria, “Sob qualquer desses critérios, o brasileiro trabalha menos do que seria esperado”.

O tema da jornada de trabalho está no centro de propostas legislativas em tramitação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), analisa a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), que prevê jornada semanal de 36 horas, distribuída em quatro dias de trabalho e três de descanso.

Também está em tramitação a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que propõe a redução gradual da jornada para 36 horas semanais ao longo de dez anos, sem redução salarial. O texto ainda aguarda a designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça.

Outra iniciativa é o Projeto de Lei 67/25, apresentado pela deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que estabelece limite de 40 horas semanais para todas as categorias, com transição escalonada: redução de 44 para 42 horas em 2027 e para 40 horas em 2028.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.