Gleisi diz que Congresso “passa pano” para golpistas e exige de Alcolumbre CPI do Master

Atualizado em 30 de abril de 2026 às 20:45
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) falando e gesticulando, de roupa preta
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) – Reprodução

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) cobrou do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a instalação da CPI do Banco Master durante a sessão conjunta desta quinta-feira (30). A reunião foi convocada para analisar o veto do presidente Lula ao projeto da Dosimetria de Penas, que pode reduzir punições de Jair Bolsonaro (PL) e de condenados pela trama golpista do 8 de janeiro.

A cobrança foi feita da tribuna, diante de Alcolumbre. Gleisi usou a discussão sobre a dosimetria para devolver à direita a pressão sobre o caso Master. “Instale-se a CPI do Master”, afirmou a deputada.

A sessão começou às 10h35, no Plenário da Câmara dos Deputados, e foi destinada à análise do Veto nº 3 de 2026. O veto total ao projeto da dosimetria foi apresentado pela Presidência da República em 9 de janeiro de 2026.

Gleisi classificou a votação como uma vergonha para o país. Segundo ela, derrubar o veto seria “passar pano” para a tentativa de golpe. A deputada afirmou que a pauta envia uma mensagem perigosa aos condenados pelo 8 de janeiro. “É a mesma coisa que dizer: façam de novo”, disse.

A petista também mirou Alcolumbre. Ela afirmou que o presidente do Congresso levaria a sessão “na biografia” caso conduzisse a votação para aliviar penas de golpistas. Gleisi ainda vinculou a pauta da dosimetria à derrota de Jorge Messias no Senado, atribuída por ela a um acordo entre oposição bolsonarista, interesses eleitorais, financeiros e medo de investigações.

A CPI do Banco Master está parada apesar de o requerimento ter 53 assinaturas. A abertura da comissão depende da leitura do pedido por Alcolumbre no Plenário. Senadores recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar destravar a instalação da CPI.

Gleisi afirmou não temer a investigação sobre o Master. Segundo ela, a comissão pode apurar relações de bolsonaristas com o caso, pagamentos ligados ao entorno de Jair Bolsonaro, apoio político ao governo do Distrito Federal e decisões do Banco Central no período Bolsonaro.

O caso Master já é alvo de investigação formal. Em março de 2026, o ministro André Mendonça, do STF, prorrogou por mais 60 dias o inquérito da Polícia Federal sobre a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília. A crise também produziu impacto bilionário no BRB, que poderia precisar provisionar mais de R$ 5 bilhões por causa de operações com o Master.

Em 22 de abril de 2026, acionistas do BRB aprovaram aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões para reforçar o banco após os problemas ligados ao Master. O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de receber propina para beneficiar o Master, acusação negada por sua defesa.

A fala de Gleisi recolocou o PT no ataque após a derrota de Messias no Senado. A deputada afirmou que Lula venceu a Lava Jato, foi absolvido pelas urnas e chegou três vezes à Presidência pelo voto popular. O recado central foi dirigido aos bolsonaristas: a democracia permite críticas ao governo, mas não pode servir de abrigo para quem tentou derrubar um presidente eleito.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.