
A repercussão dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciados no último sábado (28), tem gerado críticas ao modo com que a imprensa, tanto a brasileira quanto a estadunidense, está noticiando os bombardeios.
Como modus operandi de desumanização dos iranianos, veículos como o New York Times, dos Estados Unidos, e a Globo omitem os responsáveis pelos ataques que mataram centenas de pessoas no Irã, além de colocar em dúvida as informações divulgadas pelos canais oficiais do país do Oriente Médio.
“Ataque mata dezenas de alunas de escola iraniana no sul do país, diz imprensa estatal”, manchetou o G1 em uma chamada copiada do New York Times. Um gráfico que viralizou no X expõe como a frase coloca em dúvida o número de vítimas, além de esconder a origem do ataque que matou mais de 150 pessoas.
Uma das denúncias sobre o descaso com as vidas iranianas partiu da historiadora e escritora estadunidense Assal Rad. “A direfença é intencional”, escreveu ela no X.
The difference is by design. pic.twitter.com/LXarH4zypK
— Assal Rad (@AssalRad) March 2, 2026
Reforçando a narrativa ocidental, os mesmos veículos foram diretos ao responsabilizar o Irã pelas mortes de nove pessoas em um bombardeio em Jerusalém, além de outra vítima em ação em Tel Aviv. “Ataque do Irã contra Israel deixa 1 morto e 21 feridos”, diz a Globo.
O cientista político Bruno Brezenski ressaltou como os principais veículos brasileiros respondem aos interesses estadunidenses. “Entenderam por que nossa imprensa não é ‘nossa imprensa?”, questionou.
“Ela usa a narrativa que vem dos EUA, não tem autonomia para dizer o que pensa, nunca teve, hoje fica mais evidente”, explicou.
Não é todos os dias que conseguimos uma prova do alinhamento editorial da imprensa brasileira com a dos EUA.
Entenderam por que nossa imprensa não é “nossa imprensa”?Ela usa a narrativa que vem dos EUA, não tem autonomia para dizer o que pensa, nunca teve, hoje fica mais… pic.twitter.com/B03ufhe1xv
— Bruno Brezenski (@bbbrezenski) March 2, 2026
Usuários também lembraram a cobertura do massacre na Palestina, onde estima-se que mais de 67 mil pessoas morreram durante os dois anos de bombardeios israelenses. No período, os grandes veículos insistiram em narrar o genocídio e os ataques desiguais como “conflito” e “guerra entre Israel e Hamas”.
“Seriam possíveis teses de doutorado inteiras sobre os impactos da campanha de intimidação e blefe lançada por Israel após o bombardeio do Hospital Árabe Al-Ahli pelas Forças de Defesa de Israel”, disse um usuário sobre um dos ataques que erradicaram os hospitais da Faixa de Gaza.
Veja a repercussão:
Entire PhD theses could be written about the impacts of the crybully campaign Israel launched after the IDF bombed the Al-Ahli Arab Hospital on Oct 17 2023. Now NYT, CNN etc have a policy where they won’t ascribe blame to Israel until AFTER the IDF admits guilt. It’s madness. https://t.co/iJqEHi7lAe
— Adam Johnson (@adamjohnsonCHI) March 2, 2026
The Americans murdered 167 little Iranian school girls. Because that is the American Way. https://t.co/fe4f4RgHvr
— Rebecca Chan (@RebeccaYChan) March 2, 2026
Intéressant pour les cours de journalisme https://t.co/kI3xiRQcbH
— samba dialimpa (@dialimpa) March 2, 2026