Globo leva ator antivacina e propagador de fake news sobre Covid ao Altas Horas

Atualizado em 17 de agosto de 2026 às 17:38
O ator negacionista Guito Souza, seu pai Magno e seu irmão Rubens. Reprodução TV Globo

O Altas Horas deste sábado (8) promoveu uma edição especial, reunindo pais e filhos de diferentes gerações para falar sobre família, carreira e música. Entre os convidados estava o cantor e ator bolsonarista Guito, conhecido por interpretar Tibério no remake de “Pantanal” e, atualmente, Malvino em “Coração Acelerado”.

A presença do artista ocorre em meio a uma semana em que ele disparou uma série de publicações antivacina e regurgitou desinformação sobre a Covid-19 nas redes sociais.

Guito, que também é agrônomo, afirmou: “Eu só alerto que essas vacinas em crianças saudáveis podem causar mais mal do que bem. O resultado tá aí. As mortes estão aumentando”.

O argumento de Guito de que ter contraído Covid-19 mesmo após ser vacinado comprovaria a ineficácia das vacinas não corresponde ao que demonstram as evidências científicas. As vacinas contra a Covid-19 foram desenvolvidas principalmente para reduzir casos graves, hospitalizações e mortes, e não para impedir todos os casos de infecção.

Ataques a Nísia Trindade e desinformação

Guito também direcionou críticas à ex-ministra da Saúde Nísia Trindade por causa das políticas de vacinação e de enfrentamento à pandemia.

A exposição dada pela Globo a um artista que utiliza suas plataformas para divulgar alegações contestadas pela ciência é uma vergonha.

O histórico de Guito com o tema não é recente. Durante a pandemia, ele chegou a divulgar que o HIV não seria responsável pela Aids, uma alegação rejeitada pelo consenso científico.

Guito também ataca Drauzio Varella

Outra figura frequentemente citada pelo ator é o médico Drauzio Varella.

Guito costuma recuperar uma declaração feita por Drauzio no início da pandemia, quando o médico avaliou que a Covid-19 poderia ser inicialmente comparada a um quadro respiratório de menor gravidade. Com a evolução da pandemia e o aumento das evidências sobre o vírus, Drauzio reconheceu publicamente que sua avaliação inicial estava errada.

Até que ponto declarações feitas por integrantes do elenco da emissora nas redes sociais devem influenciar a decisão de colocá-los em programas de grande audiência?

A escolha produz visibilidade para aquilo que eles defendem publicamente. No caso de Guito, a exposição ocorre poucos dias depois de uma sequência de publicações contra vacinas e de alegações sem respaldo científico. A presença no programa, portanto, acaba funcionando também como uma vitrine para um artista que construiu sua atuação recente nas redes em torno de mentiras assassinas.

O DCM recebeu a seguinte nota da assessoria do ator:

O engenheiro agrônomo, músico e ator Diogo de Brito Sousa, conhecido pelo nome artístico Guito, vem a público esclarecer que jamais teve postura negacionista contra a Covid-19 e as vacinas.

Desde o início de 2020, ainda em fevereiro, quando a pandemia não havia levado à morte mais de 700 mil brasileiros, é possível conferir as postagens de Guito em redes sociais alertando sobre a gravidade do até então novo coronavírus.

Portanto, atribuir ao ator afirmações de que a pandemia foi uma “farsa” configura exercício de mau jornalismo e outras infrações jurídicas para as quais as providências cabíveis serão adotadas na esfera judicial.

Tampouco o ator jamais se colocou contra a obrigatoriedade de vacinas. Como tem formação científica na área das ciências biológicas, qualquer afirmação nesse sentido seria um contrassenso imperdoável, ainda mais pelo fato de que ele, como todos os brasileiros, terem perdido familiares e amigos para a pandemia.

O único questionamento do ator disse respeito à obrigatoriedade da vacinação da Covid, decisão que não é consenso nem entre especialistas internacionais, uma vez que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não firmou entendimento no sentido de uma obrigatoriedade a todas as nações, como se pode ver no link mais atualizado da entidade internacional.

O ator nunca questionou ou negou o direito de as pessoas se vacinarem contra a Covid. Apenas questionou a obrigatoriedade e sempre defendeu a liberdade de cada pessoa ou família decidir, com os médicos, o que fazer.

Em que pese o posicionamento de Guito possa soar controverso, a manifestação de opinião é lícita no debate público. O contrário disso – a invenção de frases ou posicionamentos inexistentes – somente desvirtua a verdade, interdita o debate e provoca prejuízos (talvez insanáveis) à carreira de um artista que, como milhões de brasileiros, trabalha honestamente.

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