Globo mostra as garras ao não perguntar sobre o fim da CLT a Renan Santos

Atualizado em 27 de agosto de 2026 às 15:40
Renan Santos
O candidato a presidência Renan Santos (Missão), em sabatina pelo Jornal Nacional. Foto: Manoela Mello/TV Globo

Na última quarta-feira (26), o candidato à Presidência Renan Santos foi entrevistado em uma sabatina do Jornal Nacional, na TV Globo. O que era de se esperar aconteceu.

O fundador do MBL defendeu uma versão mais palatável do lema “prendeu, matou”, mas ainda prometeu um “banho de sangue” seguindo os moldes de El Salvador. Também defendeu que o Brasil crie uma bomba atômica e, de forma quase cômica, resumiu a economia brasileira ao futebol, como se fosse tudo tão simples assim.

A graça disso tudo é que a Globo escolheu uma abordagem mais mansa diante do candidato do Missão. Diferentemente do que vimos com Zema e Caiado, Renan Santos recebeu perguntas relativamente livres de suas principais polêmicas. O único momento em que foi realmente pego de calças curtas ocorreu quando foi questionado sobre Orlando Lima, que defende retirar o direito ao voto de pessoas que recebem determinados benefícios sociais e também questiona o sufrágio universal. As ideias aparecem no Livro Amarelo, base programática do Missão, embora Renan já tenha afirmado que esse trecho apresenta “discussões e especulações”, e não uma proposta do partido.

Fora isso, a Globo escolheu não perguntar a Renan sobre sua declaração de que a CLT “já era” e sua defesa do fim da Justiça do Trabalho. Também não abordou o antigo episódio em que ele, em uma gravação com integrantes do MBL, disse que uma amiga seria estuprada caso o grupo fosse impedido de entrar em um bar. Nem quis encostar no âmago do papel desempenhado pelo MBL na eleição de Jair Bolsonaro em 2018.

A Globo sentou em cima do muro nessa sabatina. Partiu para o ataque com Zema e, com Caiado, mesmo tentando, teve de ser dura. Com Renan, porém, parecia que a entrevista era conduzida pelo próprio candidato, com os entrevistadores na coleira.

O problema é que, no fim das contas, a Globo ajudou Renan a se destacar. Nas redes, há uma reação positiva em torno do nome do candidato. Pessoas que não necessariamente votariam nele passaram a concordar com alguns de seus argumentos, enquanto outras chegaram a declarar que mudaram de voto — mesmo que o voto anterior também não fosse lá grande coisa.

No fim, sempre que convém, a Globo se alia ao fascismo.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!