Globo prepara armadilha e leva drible de Blinken. Por Moisés Mendes

Atualizado em 22 de fevereiro de 2024 às 23:07
Antony Blinken falando, de terno e gravata
Antony Blinken – Reprodução

O Jornal Nacional levou um drible constrangedor do secretário de Estado americano, Antony Blinken.

A Globo mobilizou a jornalista Raquel Krahenbühl, para que, em entrevista exclusiva, Blinken atacasse Lula, dentro do Brasil.

Claro que a pergunta era sobre a fala do presidente contra o governo fascista de Israel e o genocídio em Gaza.

O americano disse que Lula expressou preocupação com o drama das mortes dos palestinos e que é assim mesmo, que aliados podem ter posições discordantes. E que Lula não fez comparações com o Holocausto.

A entrevistadora começou dizendo ao secretário que ele é descendente de judeus, como provocação.

Mas Blinken saltou fora da arapuca amadora e deixou a Globo dependurada no pincel de Netanyahu.

Ficou chato para a talentosa Raquel Krahenbühl, que é correspondente em Washington e formulou uma pergunta feita para produzir um ataque a Lula.

Ficou pior ainda porque a jornalista tentou explorar a ascendência judaica do entrevistado e o fato de que o padrasto dele é sobrevivente do Holocausto, recorrendo a um truque, nessas circunstâncias, usado por profissionais dos pântanos do jornalismo.

A pergunta e a resposta, na íntegra:

Raquel Krähenbühl: Alguns dias antes do seu encontro com o presidente Lula, ele fez um comentário que vou citar aqui: ‘O que está acontecendo com o povo palestino não aconteceu em nenhum outro momento na história’. E depois ele disse: ‘Na verdade aconteceu… Quando o Hitler decidiu matar os judeus’. O senhor é judeu. O seu padrasto era sobrevivente do Holocausto e eu ouvi falar que o senhor mencionou esse episódio com o presidente Lula. O que o senhor acha sobre esse comentário, já que seu padrasto era tão envolvido nessa causa de tentar preservar a memória do Holocausto?

Antony Blinken: Veja bem, temos uma discordância real sobre isso. E amigos podem ter discordâncias reais e profundas em questões específicas e continuar a trabalhar em muitas outras coisas que nos unem. Para nós, como eu disse, está muito claro que não há comparação alguma. Também sei que o presidente Lula é motivado pelo sofrimento das pessoas e quer ver isso acabar. Assim como nós. Também temos isso em comum.

Publicado originalmente no Blog do Moisés Mendes

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