Golpe com quem, cara pálida? Por Moisés Mendes

Bolsonaristas “autorizam” presidente a dar golpe

Publicado originalmente no Blog do autor:

Por Moisés Mendes

O voto impresso é o habeas da extrema direita insegura para as eleições do ano que vem. A defesa do comprovante do voto em papel, como pede Bolsonaro, apareceu com força nas manifestações de sábado.

O truque já está consagrado como arma de Bolsonaro e se disseminou como parte da estratégia golpista.

Defendem o voto impresso e, como sabem que o sistema não será adotado, não aceitarão o resultado da eleição, se forem perdedores. E já sentem que serão perdedores.

Mas se apresenta desde já a questão que inviabilizou o “golpe” da turba do homem das guampas nos Estados Unidos, depois da invasão do Capitólio: quem irá segurar o golpe?

No sábado, nas carreatas e passeatas, os bolsonaristas adotaram o bordão “eu autorizo”, ou “nós te autorizamos, presidente”, que significa: vá em frente, Bolsonaro, e faça a intervenção militar.

Mas vá em frente com quem, cara pálida? Essa gente que está nas ruas é que irá segurar um golpe? Nos Estados Unidos, Trump não teve apoio militar, porque ninguém imaginava que pudesse ter.

O homem das guampas e a multidão de fascistas que invadiram o Congresso, incentivados por Trump, ficaram sem ter o que fazer: invadiram e daí?

E aqui, como seria? Bolsonaro mandou embora os comandantes das três armas e o ministro da Defesa. E recrutou novos homens de confiança para a liderança da área militar.

Mas Bolsonaro pode contar com os chefes militares, quando decidir dizer que não aceita o resultado da eleição?

É um cenário ainda muito distante e impreciso. O que temos hoje são Bolsonaro, os filhos de Bolsonaro, os milicianos e a turba que vai às ruas.

Esse pessoal é suficiente para segurar um golpe? Há golpe sem apoio militar? Até as emas do Alvorada sabem que não há.

Há também uma armadilha na mensagem das manifestações de sábado. Se Bolsonaro aguardava mesmo um sinal do seu povo, como vinha dizendo, o sinal está dado.

Segundo o pessoal que foi às ruas, o sujeito tem autorização para agir. Se não agir, estará apenas blefando, como faz há mais de ano.

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