“Golpe da Lava Jato coloca em perigo a sociedade civil brasileira”, diz deputada francesa ao DCM. Por Willy Delvalle

A deputada franco-gabonesa Danièle Obono. do partido La France Insoumise

A imagem do Brasil está prejudicada com o que a deputada franco-gabonesa Danièle Obono considera um golpe de estado institucional contra Lula e Dilma Rousseff. Para ela, eleita da região parisiense pelo partido La France Insoumise, as revelações de articulação entre Moro e os procuradores da Operação Lava Jato só confirmam a denúncia que ela, outros parlamentares franceses e sociedade civil vêm fazendo desde 2016.

Nesta breve conversa com o DCM, realizada na Assembleia Nacional em meio a um colóquio de denúncia do governo Bolsonaro, Obono afirma que o Brasil precisa de solidariedade internacional com o objetivo de fazer pressão para que os brasileiros possam ter eleições livres. Ela também critica o governo Macron, a quem chama de hipócrita, pelo silêncio sobre Lula.

Como a senhora reage às revelações sobre a Operação Lava Jato?

Infelizmente, sem surpresa porque isso já era denunciado quando do golpe de estado que levou Lula à prisão, golpe de estado institucional para impedir Lula de se candidatar (à presidência), mas muito antes, quando houve a destituição de Dilma Rousseff. Estive no Brasil, mas outras pessoas mantiveram contatos com as associações, com a sociedade civil brasileira, que o dizem e sabem muito claramente que foi armado. Estou muito preocupada porque isso confirma a natureza de um poder corrupto e um poder autoritário, que coloca hoje em perigo a sociedade civil, sindicalistas, inclusive personalidades políticas. É um sentimento de preocupação e de determinação para que construamos uma solidariedade a nível internacional mais forte possível para que o Brasil e o povo brasileiro possam designar realmente o dirigente que eles desejam ter. E para que não seja tão manipulado e que o Estado Democrático de Direito seja respeitado no Brasil.

Qual é a imagem do Brasil hoje, com essas revelações?

Creio que as declarações e posições tomadas por Bolsonaro desde que ele chegou ao poder prejudicaram bastante a imagem do Brasil e as revelações só confirmam a imagem negativa que foi dada. Mas além da imagem, o que me interpela e me preocupa é a realidade, do que acontece com a população em termos não apenas de desigualdade social, de justiça ambiental, mas também de Estado de Direito. E é isso que deveria preocupar a todas as forças democráticas e realmente internacionalistas, aos governos que desejam favorecer uma verdadeira democracia, sobretudo uma estabilidade. Pois, dada a importância do Brasil no continente americano, creio que todos e todas deveriam ter como prioridade que seja um país efetivamente democrático, pois isso produz consequências na região e no continente.

O governo Macron se retirou recentemente do Fórum Econômico França-Brasil realizado no Ministério das Finanças, entre o MEDEF Internacional (organização patronal francesa), o governo Bolsonaro e a CNI, por conta da mobilização contrária. Esse gesto é suficiente, por parte do governo francês?

Não. Eu penso que é uma grande hipocrisia. Felizmente houve uma mobilização, uma interpelação da sociedade civil, de pessoas eleitas, que denunciaram, como eu, que transmiti esse manifesto contra a organização do Fórum. Mas mesmo assim, ele estava previsto e efetivamente aconteceu. E sobretudo, nós temos um governo que não disse nada sobre a prisão de Lula e que, na verdade, apoia o governo brasileiro, o governo de Bolsonaro. Então ele fica na postura de pseudogestos simbólicos. Mas na ação, na prática, na França, como na Europa, eles favorecem governos reacionários, de extrema direita liberal, que constitui o governo Bolsonaro. Infelizmente, na prática, o discurso supostamente progressista de Macron é só um discurso.

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