Golpista Eduardo Bolsonaro encontra genocida Netanyahu para discutir eleições no Brasil

Atualizado em 29 de julho de 2026 às 19:53
Eduardo Bolsonaro
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Foto: Gil Cohen-Magen/AFP

Eduardo Bolsonaro se reuniu nesta quarta-feira (29) com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Blair House, residência oficial destinada aos convidados do presidente dos Estados Unidos. Segundo Eduardo, o encontro ocorreu durante uma reunião com líderes evangélicos e incluiu conversas sobre a eleição presidencial brasileira.

Em publicação nas redes sociais, Eduardo afirmou que Netanyahu perguntou sobre a saúde de Jair Bolsonaro e sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Ele também relatou que houve um momento de oração e discussões sobre os “desafios atuais”, mas não detalhou as respostas nem os demais assuntos abordados.

Eduardo divulgou fotografias ao lado de Netanyahu e da mulher do premiê, Sara Netanyahu. Não houve manifestação pública do governo israelense sobre a conversa nem divulgação de uma agenda oficial ou de uma ata do encontro. As informações sobre o conteúdo da reunião foram apresentadas pelo próprio brasileiro.

A Blair House fica em frente à Casa Branca e funciona desde 1942 como residência oficial dos chefes de Estado e de governo convidados pelo presidente estadunidense. Eduardo recordou que Jair Bolsonaro ficou hospedado no imóvel em sua primeira visita oficial aos Estados Unidos, em março de 2019.

Naquela viagem, Eduardo conheceu Matt Schlapp, dirigente da Conferência de Ação Política Conservadora, a CPAC, ao lado do então assessor presidencial Filipe Martins. Segundo ele, o contato abriu caminho para a realização do evento conservador no Brasil.

O encontro ocorreu quatro dias depois de Netanyahu participar diretamente da convenção nacional do PL por meio de um vídeo de apoio a Flávio Bolsonaro. Na gravação, o premiê chamou o candidato de “meu amigo” e “campeão do Brasil”. Eduardo e Flávio também haviam sido recebidos por Netanyahu durante uma viagem a Israel em janeiro.

Integrantes do governo Lula e da campanha petista têm interpretado as manifestações de Netanyahu, Donald Trump e Javier Milei em apoio a Flávio como parte de uma ofensiva internacional sobre a eleição brasileira. A aproximação também envolve a promessa de Flávio de aprofundar o alinhamento com Israel e transferir a Embaixada do Brasil para Jerusalém.

Netanyahu é alvo de um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional por suspeitas de crimes de guerra e contra a humanidade na Faixa de Gaza. Israel rejeita as acusações e contesta a jurisdição do tribunal. Após o encontro, Eduardo afirmou que o Brasil voltará a caminhar ao lado dos Estados Unidos e de Israel: “Tenho convicção de que esses dias voltarão. E não falta muito”.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!