Governador põe Guarda Nacional em alerta após mulher ser morta pelo ICE em Minneapolis

Atualizado em 7 de janeiro de 2026 às 20:06
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O carro da mulher morta por agente do ICE

O governador de Minnesota, Tim Walz, colocou a Guarda Nacional do estado em alerta nesta quarta-feira (7) após uma mulher ser morta a tiros por um agente do ICE durante uma operação federal em Minneapolis.

Em entrevista coletiva, Walz afirmou ter emitido uma ordem de prontidão para um possível deslocamento das tropas, caso haja agravamento da situação nas ruas. Segundo ele, cerca de 7 500 militares estão atualmente em treinamento em diferentes regiões do estado, dentro de um efetivo total de aproximadamente 13 mil integrantes da Guarda Nacional de Minnesota.

Walz fez questão de diferenciar a atuação da Guarda Nacional da presença de agentes federais. Disse que os soldados são moradores do próprio estado, professores, trabalhadores da construção civil e pequenos empresários, e ressaltou que Minnesota não permitirá que suas comunidades sejam usadas como instrumento em disputas políticas nacionais.

Também foi confirmado o envio de 85 agentes da Patrulha Estadual para a região, em apoio às forças locais de segurança. O governador afirmou que a Guarda permanecerá em estado de prontidão, preparada para atuar apenas em ações de segurança pública e resposta a emergências, se necessário.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento do disparo fatal. A operação ocorreu em meio a uma ofensiva migratória ampliada pelo governo de Donald Trump, que prevê o envio de cerca de 2 000 agentes federais à cidade, segundo fontes policiais.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, reagiu de forma dura à ação federal. Ele acusou os agentes de “semear o caos nas ruas” e declarou publicamente que o ICE deve “sair de Minneapolis”, afirmando que a cidade não aceita operações que coloquem civis em risco. Para Frey, a atuação federal agravou tensões locais e comprometeu a segurança da população, em um momento já sensível para a cidade.

A morte ocorreu a apenas alguns quarteirões do local onde George Floyd foi assassinado em 2020 pelo então policial Derek Chauvin, episódio que desencadeou protestos em escala global. A vereadora Robin Wonsley afirmou que a cidade enfrenta mais uma tragédia envolvendo a perda de uma vida civil e relatou que a reação inicial da comunidade foi de choque. Segundo ela, haverá mobilização contínua para pressionar pela retirada dos agentes do ICE e para impedir que operações federais semelhantes se repitam em Minneapolis.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.