
O governo da Groenlândia respondeu às ameaças de Donald Trump sobre a possível anexação da ilha. Em um comunicado divulgado nesta segunda (12), a gestão local afirmou que “sob nenhuma circunstância” aceitaria que os Estados Unidos tomassem o controle do território.
A declaração foi dada após o presidente dos EUA reiterar seu desejo de anexar a ilha, alegando razões de segurança nacional, como a localização estratégica da ilha entre a América do Norte e o Ártico. Trump chegou a dizer que tomaria a Groenlândia “de um jeito ou de outro” e que a China ou a Rússia poderiam “tomar o controle” do território.
A Groenlândia, que foi uma colônia dinamarquesa até 1953 e conquistou autonomia em 1979, tem se distanciado da Dinamarca e explorado a possibilidade de alcançar a independência total. Apesar das tentativas de Trump de justificar sua postura, a maioria da população da Groenlândia e seus partidos políticos são contra o controle dos Estados Unidos sobre a ilha.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que qualquer tentativa de Washington de tomar a Groenlândia à força teria consequências graves para a OTAN, desestabilizando a aliança transatlântica que tem definido a ordem mundial desde a Segunda Guerra Mundial.

A declaração de Trump sobre a OTAN foi minimizada pelo presidente dos EUA. “Se isso afetar a OTAN, então afeta a OTAN. A Groenlândia precisa muito mais de nós do que nós deles”, prosseguiu o presidente americano.
Em paralelo, Andrius Kubilius, comissário da União Europeia para a Defesa e o Espaço, afirmou que o bloco europeu poderia ajudar a garantir a segurança da Groenlândia, caso a Dinamarca o solicitasse, e reforçou que uma tomada militar da ilha significaria o fim da OTAN.
O comissário da UE também apontou que, embora não acredite que uma invasão militar dos EUA esteja iminente, qualquer agressão militar contra a Groenlândia obrigaria os membros da União Europeia a fornecer assistência mútua, conforme o tratado do bloco.