Governo da Groenlândia diz que ilha não será tomada por Trump “sob nenhuma circunstância”

Atualizado em 12 de janeiro de 2026 às 13:18
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Carlos Barria/Reuters

O governo da Groenlândia respondeu às ameaças de Donald Trump sobre a possível anexação da ilha. Em um comunicado divulgado nesta segunda (12), a gestão local afirmou que “sob nenhuma circunstância” aceitaria que os Estados Unidos tomassem o controle do território.

A declaração foi dada após o presidente dos EUA reiterar seu desejo de anexar a ilha, alegando razões de segurança nacional, como a localização estratégica da ilha entre a América do Norte e o Ártico. Trump chegou a dizer que tomaria a Groenlândia “de um jeito ou de outro” e que a China ou a Rússia poderiam “tomar o controle” do território.

A Groenlândia, que foi uma colônia dinamarquesa até 1953 e conquistou autonomia em 1979, tem se distanciado da Dinamarca e explorado a possibilidade de alcançar a independência total. Apesar das tentativas de Trump de justificar sua postura, a maioria da população da Groenlândia e seus partidos políticos são contra o controle dos Estados Unidos sobre a ilha.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que qualquer tentativa de Washington de tomar a Groenlândia à força teria consequências graves para a OTAN, desestabilizando a aliança transatlântica que tem definido a ordem mundial desde a Segunda Guerra Mundial.

O chefe do governo da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, durante a assembleia constitutiva em Inatsisartut em Nuuk. Foto: Emil Stach/AFP

A declaração de Trump sobre a OTAN foi minimizada pelo presidente dos EUA. “Se isso afetar a OTAN, então afeta a OTAN. A Groenlândia precisa muito mais de nós do que nós deles”, prosseguiu o presidente americano.

Em paralelo, Andrius Kubilius, comissário da União Europeia para a Defesa e o Espaço, afirmou que o bloco europeu poderia ajudar a garantir a segurança da Groenlândia, caso a Dinamarca o solicitasse, e reforçou que uma tomada militar da ilha significaria o fim da OTAN.

O comissário da UE também apontou que, embora não acredite que uma invasão militar dos EUA esteja iminente, qualquer agressão militar contra a Groenlândia obrigaria os membros da União Europeia a fornecer assistência mútua, conforme o tratado do bloco.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.