Governo Lula avalia recorrer ao STF após derrota no Congresso imposta por Alcolumbre

Atualizado em 28 de maio de 2026 às 15:50
O presidente Lula e o presidente do Senado Davi Alcolumbre. Foto: Divulgação

Integrantes do governo Lula avaliam acionar o Supremo Tribunal Federal contra a decisão do Congresso Nacional que restabeleceu trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), permitindo a transferência de bens e recursos durante o período eleitoral.

A medida, publicada nesta quarta-feira (27), foi promulgada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após o Palácio do Planalto optar por não sancionar o dispositivo. A avaliação no entorno do presidente indica que o trecho restabelecido da LDO pode abrir margem para o uso eleitoral da máquina pública em ano de campanha.

A preocupação central é que a flexibilização da legislação eleitoral permita repasses de recursos públicos com impacto político. Apesar das discussões internas sobre a judicialização do caso, parte da equipe do governo resiste à ida ao STF.

O argumento é que o Planalto ainda depende de articulação com o Congresso para avançar em pautas prioritárias. Entre elas estão a proposta que prevê o fim da escala 6×1, que seguirá para análise do Senado após aprovação na Câmara, e a PEC da Segurança Pública, considerada estratégica pelo governo.

Com a nova regra, estabelece-se uma exceção à legislação eleitoral, que normalmente impede a distribuição de benefícios e transferências voluntárias durante o período de campanha. A medida busca evitar favorecimento político de candidatos em disputa.

Lula ao lado de Davi Alcolumbre. Foto: Divulgação

Os trechos restabelecidos da LDO permitem que políticos realizem repasses de recursos públicos mesmo em períodos em que a legislação eleitoral impõe restrições. Especialistas e consultorias técnicas da Câmara e do Senado alertaram para o risco de uso indireto de recursos em benefício político durante as eleições.

Ao justificar o veto, o governo argumentou que a flexibilização poderia desequilibrar as disputas eleitorais municipais e estaduais em 2026. A decisão do Congresso contrariou esses pareceres técnicos, tornando a questão objeto de análise interna do Planalto sobre a necessidade de intervenção judicial.

A mensagem que o presidente Lula deve enviar ao Congresso deve detalhar os temas e projetos considerados prioritários para 2026, reforçando a necessidade de alinhamento legislativo. A eventual ida ao STF ainda será debatida com base na avaliação do impacto da LDO sobre a campanha eleitoral.

O governo mantém diálogo com parlamentares aliados e observa o andamento das discussões sobre os repasses permitidos pelo trecho da LDO. A judicialização, caso decidida, poderá definir limites sobre o uso de recursos públicos no período eleitoral, influenciando o planejamento de políticas e transferências de benefícios.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.