Governo Lula diz que acordo proposto pela União Europeia é “inaceitável” e “neocolonial”

Atualizado em 22 de junho de 2023 às 15:14
O presidente Lula. Foto: Evaristo Sá/AFP

O assessor especial da presidência, Celso Amorim, afirmou que o pacto entre Mercosul e a União Europeia é um acordo “neocolonial”. O tema foi discutido durante a visita do presidente Lula a Roma e também será debatido em encontro com Emmanuel Macron, presidente da França. A informação é da coluna de Jamil Chade no UOL.

Em entrevista coletiva, Lula disse que a proposta dos europeus para a questão agrícola e climática “não está em conformidade” com os interesses do Brasil e que o acordo é “inaceitável”. O pacto foi negociado por 20 anos e chegou a ser comemorado pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas nunca foi implementado.

Houve resistência europeia na ocasião, provocada pelos desmontes ambientais da gestão do ex-presidente. Existia esperança de que o processo avançasse com o governo Lula, mas em carta apresentada em abril, os países da Europa estabeleceram novas condições: o Brasil sofreria uma suspensão de isenção de tarifas caso não cumprisse as metas do Acordo de Paris e outros compromissos multilaterais.

O presidente aponta que os critérios ambientais que os europeus sugerem são inaceitáveis porque “nem eles cumpriram” os acordos que resultariam em punição para o Brasil. Lula pediu “mais humildade e sensibilidade” no acordo e evitou estabelecer um prazo para o estabelecimento do pacto.

O petista diz que vai conversar com o Macron sobre o tema e diz que o acordo só será possível caso cada um “abra mão” do protecionismo. Para Amorim, “um acordo deste precisa ser baseado na confiança, e não na desconfiança”.

“Aceitar sanções é como se uma pessoa que cometa um ilícito aceite a pena de morte. Isso não existe. A carta foi muito infeliz”, prosseguiu o assessor especial da presidência. A agricultura não é o único problema, segundo ele, já que um dos capítulos trata de licitações públicas e poderia ameaçar a capacidade de concorrência das indústrias nacionais.

“É muito bom ter um acordo com a União Europeia, até para ajudar no equilíbrio mundial e para o nosso equilíbrio. Não queremos só China e EUA. Mas não pode ser uma relação neocolonial”, finaliza.

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