Governo Lula diz que decisão de Trump sobre PCC e CV é “deplorável”; leia a nota

Atualizado em 29 de maio de 2026 às 13:54
Donald Trump e Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo Lula divulgou nesta sexta (29) uma nota oficial em resposta à decisão dos Estados Unidos de classificarem as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. O comunicado cita a soberania do Brasil, reforça que o país já combate o crime organizado e detona a articulação de bolsonaristas.

A nota não menciona o presidente dos EUA, Donald Trump, diretamente. Há apenas duas referências ao país: uma sobre a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) e outra que menciona a parceria existente no combate ao crime organizado. O texto é assinado como “Governo do Brasil”, mas foi aprovado diretamente pelo petista.

“A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores (…) É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, diz o texto.

O comunicado publicado nesta sexta reafirma que o Brasil “é uma nação soberana” e que o enfrentamento a facções e milícias é prioridade do Estado. O texto diferencia as organizações criminosas nacionais de grupos que praticam terrorismo internacional motivado por ideologias, política ou religião.

O comunicado também aponta que colaborações internacionais são bem-vindas, mas alerta que medidas unilaterais podem comprometer o combate interno ao crime. “Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime”, afirma o texto.

O Planalto aponta ainda para os impactos de decisões externas sobre o sistema de segurança e financeiro do país, incluindo inovações nacionais como o Pix. Segundo o governo, as medidas podem reduzir o compartilhamento de informações entre polícias e prejudicar o funcionamento de sistemas estratégicos, além de gerar riscos à população.

Leia a nota na íntegra:

Nota do Governo do Brasil

O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.

O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.

A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.

É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.

Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.

O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.

Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.

Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.

Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.

A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.