Governo Lula propõe saque de até 20% do FGTS para quitar dívidas; saiba como funciona

Atualizado em 12 de abril de 2026 às 11:54
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista à Folha. Foto: Gabriela Biló

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos poderão sacar até 20% de seus saldos do FGTS para quitar dívidas. A medida, que tem como objetivo aliviar a situação financeira das famílias, está inserida em um pacote de renegociação que inclui descontos de até 90% nas dívidas com os bancos e refinanciamento a taxas de juros mais baixas.

“Esse é um esforço para garantir que o endividamento das famílias seja reduzido e as condições de crédito melhorem”, afirmou Durigan, em entrevista à Folha de S. Paulo. O pacote deve liberar cerca de R$ 7 bilhões para o mercado.

O governo federal está preocupado com o crescente endividamento das famílias brasileiras e a alta dos juros. Durigan esclareceu que a prioridade é “encontrar soluções estruturantes” para o problema. Ele explicou que, além do uso do FGTS, as instituições financeiras serão incentivadas a oferecer refinanciamentos com condições melhores.

“Não estamos fazendo um programa de bondades, estamos lidando com problemas concretos que afetam milhões de brasileiros”, afirmou. Ele também mencionou que a crise de crédito, associada ao aumento da taxa de juros, precisa ser combatida com alternativas viáveis.

Além da medida para o FGTS, o ministro da Fazenda revelou que o governo está trabalhando para aumentar o acesso ao crédito para motoristas de aplicativos, taxistas e setores específicos como a construção civil e os fertilizantes.

“Estamos priorizando medidas que atendam as necessidades mais urgentes, como a situação dos caminhoneiros e o crédito para pequenos empreendedores”, disse Durigan, destacando a ampliação da oferta de crédito para os trabalhadores informais, que têm enfrentado dificuldades com as taxas de juros mais altas.

Durigan também se posicionou sobre o impacto do cenário eleitoral nas medidas econômicas, descartando a acusação de que as ações do governo seriam voltadas para ganhar votos. “Não estamos fazendo medidas eleitoreiras. O que estamos fazendo é cuidar das questões econômicas que afetam o cotidiano dos brasileiros”, comentou. Ele reforçou que o governo está focado em estabilizar a economia e combater a crescente inadimplência, que afeta principalmente as famílias de baixa renda.

Outro tema abordado pelo ministro foi a questão do combustível e o impacto da guerra no Irã. Durigan não descartou que novas medidas fiscais possam ser adotadas para compensar o aumento dos preços.

“Vamos avaliar até o fim de maio a situação e tomar as medidas necessárias para garantir a estabilidade econômica”, afirmou. Ele também destacou que o governo está trabalhando para garantir que o Fundo de Garantia de Operações (FGO) ajude a diminuir o risco de inadimplência entre os consumidores.

Por fim, Durigan disse que o governo continua atuando em parceria com o Congresso para evitar “pautas problemáticas” que possam desviar o foco da recuperação fiscal do país. “A guerra é um fator de incerteza, e a nossa postura é garantir que a fiscalidade seja mantida sob controle”, concluiu o ministro, reafirmando a importância de um esforço conjunto com o Legislativo.

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