
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta que o Brasil terá papel central na estabilização da Venezuela e em atrair empresas petrolíferas para o país vizinho, depois da operação militar que resultou no sequestro de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Segundo Ana Flor, da GloboNews, assessores próximos ao Palácio do Planalto revelaram que a estratégia diplomática brasileira busca manter uma relação sólida com Donald Trump, ao mesmo tempo em que estreita contatos com o novo comando venezuelano, de Delcy Rodríguez, para intensificar a atuação do Brasil nas negociações para reconstrução política e econômica da Venezuela.
As fontes afirmam que a visita de Lula aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026 continua nos planos, apesar da recente intervenção estadunidense no país vizinho.
O convite foi feito por Trump em conversa telefônica no final do ano passado, o que demonstra que Brasília ainda enxerga valor em manter aberta a comunicação com Washington, mesmo após o ataque que chocou a região.
A estratégia brasileira, no entanto, não está isenta de tensões internas à política externa. Ao mesmo tempo em que busca manter boas relações com os EUA, o governo tem criticado publicamente o sequestro de Maduro como uma interferência “inaceitável” na soberania da Venezuela, posição que já havia sido formalizada em notas oficiais e em discursos internacionais.

De acordo com os assessores, a relação com Trump faz sentido também no plano eleitoral. Lula e sua equipe estariam atentos ao fato de que o presidente estadunidense tem adotado posturas que podem influenciar eleições fora dos EUA, um fator relevante com as eleições brasileiras previstas para outubro de 2026.
No último sábado (3), dias após a operação que derrubou Maduro, Lula conversou por telefone com Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência venezuelana.
A conversa foi classificada pelo Palácio do Planalto como “super rápida” e teve como objetivo confirmar oficialmente a veracidade das informações sobre a captura de Maduro. Durante a ligação, Rodríguez confirmou a detenção, mas disse que, naquele momento, ainda não tinha detalhes sobre o paradeiro do ex-presidente.
Após o telefonema com Rodríguez, o governo brasileiro divulgou nota oficial condenando a intervenção militar dos Estados Unidos.