Governo Lula zera impostos do diesel para combater alta do petróleo; entenda

Atualizado em 12 de março de 2026 às 13:59
Abastecimento de combustível em veículo. Foto: Divulgação

Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, o governo brasileiro anunciou novas medidas para mitigar o impacto das oscilações no preço do petróleo e evitar que o aumento do diesel afete ainda mais a economia nacional. Durante um evento em Brasília o presidente Lula, acompanhado de ministros de diversas pastas, detalhou as ações que visam controlar os custos do combustível, essencial para o transporte e a produção no Brasil.

O governo decidiu zerar a cobrança do PIS (Programa de Integração Social) e da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) sobre o preço do diesel. Com isso, a expectativa é de uma redução de R$ 0,32 por litro na refinaria, conforme explicou o ministro da Fazenda Fernando Haddad.

Essa medida representa uma tentativa de aliviar a pressão econômica gerada pela alta do petróleo no mercado internacional, que foi intensificada pelo aumento da tensão no Oriente Médio. Além disso, o governo anunciou que irá implementar uma subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores de diesel.

Essa subvenção será paga por meio de uma Medida Provisória e tem como objetivo garantir que a redução no preço seja repassada para o consumidor final. Com a combinação dessas duas medidas, o preço do diesel nas refinarias poderá cair até R$ 0,64 por litro, conforme estimativas do governo.

O ministro da Fazenda afirmou que, com essas ações, espera-se um impacto fiscal neutro, com a arrecadação extra proveniente da taxação sobre exportações de petróleo compensando as renúncias fiscais geradas pela isenção dos tributos. “Queremos estimular as refinarias a processarem no limite de suas possibilidade. E isso [imposto de exportação] vai estimular isso”, disse Haddad.

As ações do governo não são permanentes e têm caráter temporário, com validade até 31 de dezembro deste ano. As medidas visam dar uma resposta imediata aos efeitos do conflito sobre os preços do petróleo, e o governo manterá a flexibilidade para prorrogar ou modificar as ações conforme a evolução do cenário internacional.

A escalada dos preços do petróleo no mercado internacional, que ultrapassou os US$ 100 por barril, tem gerado preocupação no Brasil, um país que, apesar de ser um grande produtor de petróleo, também depende da importação de derivados como o diesel.

“Estamos mais preocupados com diesel”, declarou Haddad. O ministro da Fazenda afirmou que o aumento do combustível usado por caminhões e maquinário. “É um elemento importante da economia brasileira”, afirmou.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Foto: Divulgação

A guerra no Oriente Médio tem dificultado ainda mais o tráfego de petróleo, especialmente no Estreito de Ormuz, que é uma das principais rotas de escoamento da commodity. Essa situação afetou diretamente os preços internos, com os postos de combustíveis já aplicando reajustes no diesel, gasolina e etanol.

Para combater possíveis abusos no mercado, o governo também reforçou as ações da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Uma Medida Provisória será editada para ampliar os poderes de fiscalização da agência, permitindo que ela coíba práticas como o aumento especulativo dos preços ou a retenção de estoques.

Além disso, os postos de combustíveis deverão adotar sinalizações claras que indiquem a redução nos preços decorrente da isenção de tributos e da subvenção. Em um contexto de guerra no Oriente Médio e alta do preço do petróleo, o governo federal ainda busca formas de equilibrar o impacto sobre a economia doméstica.

A alta do diesel afeta diretamente o agronegócio brasileiro, setor crucial para o país, que depende desse combustível para o transporte e a operação de maquinários agrícolas.

O presidente Lula ressaltou a importância de controlar os preços do combustível para evitar que o aumento nos custos se reverta em mais inflação, especialmente em alimentos essenciais como feijão e hortaliças.

O governo também anunciou que cobrará das distribuidoras de combustíveis que as reduções de impostos e o impacto da subvenção cheguem de fato ao consumidor.

Uma reunião entre representantes do governo e das maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil está marcada para garantir que as medidas sejam efetivamente repassadas ao consumidor final.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.