Governo suspende dragagem do rio Tapajós após protestos de indígenas

Atualizado em 7 de fevereiro de 2026 às 12:36
Indígenas ocupam, em protesto, a sede da Cargill em Santarém contra o projeto de hidrovias e dragagem no rio Tapajós. Foto: Daleth Oliveira

Após duas semanas de protestos de povos indígenas, o governo federal suspendeu a dragagem do rio Tapajós, no Pará, rejeitada pelas comunidades que denunciam impactos ambientais e ameaças ao modo de vida tradicional. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (6), após manifestações concentradas em Santarém, onde indígenas acamparam em frente ao terminal portuário da Cargill.

Em nota oficial, o governo informou que, “diante das mobilizações de povos indígenas e […] como gesto de negociação”, decidiu suspender o processo de contratação de uma empresa para a dragagem anual do Tapajós.

Além disso, prometeu realizar “consulta livre, prévia e informada” às comunidades locais antes de qualquer avanço nas obras.

Reivindicações indígenas

Os indígenas protestam contra a expansão portuária em rios considerados vitais para sua sobrevivência — pauta já apresentada na COP30, realizada em Belém.

Entre as demandas estão a revogação do decreto assinado em agosto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que prioriza rios amazônicos para transporte de cargas, e o cancelamento da licitação da dragagem.

“O governo vem abrindo os nossos territórios para muitos empreendimentos […] para potencializar o agronegócio”, disse a líder indígena Auricelia Arapiuns. Já Alessandra Korap afirmou: “Essa infraestrutura que está vindo não é espaço para a gente, e nunca vai ser. É um projeto de morte, para matar o nosso rio e os nossos locais sagrados”.

Os protestos incluíram o bloqueio da rodovia Fernando Guilhon, principal acesso ao aeroporto internacional de Santarém. O Ministério Público Federal informou que documentos técnicos do ICMBio e do Ibama apontam “graves riscos ambientais decorrentes da dragagem no rio Tapajós”.

Maior exportador mundial de soja e milho, o Brasil tem ampliado o uso de portos fluviais no Norte para reduzir custos logísticos — movimento que acirra o conflito com comunidades tradicionais na região.