
Os Estados Unidos tornaram público neste sábado (03), um indiciamento criminal que acusa o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de envolvimento com narcotráfico e corrupção. O documento foi divulgado pelo Departamento de Justiça e tramita no tribunal federal do Distrito Sul de Nova York, em Manhattan.
Segundo as autoridades americanas, Maduro foi capturado em uma operação militar realizada na madrugada do mesmo dia em território venezuelano. Ele foi levado aos Estados Unidos, onde permanece detido em um presídio federal no Brooklyn enquanto aguarda julgamento por crimes ligados ao narcoterrorismo e ao tráfico internacional de drogas.
O indiciamento descreve Maduro como líder de um “governo corrupto e ilegítimo”, sustentado por uma ampla estrutura criminosa responsável pelo envio de milhares de toneladas de cocaína aos Estados Unidos. A acusação afirma que a operação envolvia o uso de rotas marítimas e aéreas, além de apoio logístico estatal para garantir a circulação da droga.
Além de Maduro, o processo inclui sua esposa, Cilia Flores, seu filho e outras três pessoas. Contra o presidente venezuelano pesam quatro acusações formais: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e artefatos destrutivos, além de conspiração para posse desses armamentos.
As acusações retomam um indiciamento apresentado originalmente em 2020, durante o primeiro governo de Donald Trump. O novo documento foi protocolado sob sigilo pouco antes do Natal e ampliou o alcance das denúncias ao incluir formalmente a esposa de Maduro entre os acusados.
De acordo com o Departamento de Justiça, organizações criminosas como o cartel de Sinaloa e a facção Tren de Aragua atuaram em cooperação direta com o governo venezuelano. Em troca de proteção institucional, integrantes do alto escalão teriam recebido parte dos lucros do tráfico de drogas.
O indiciamento sustenta que autoridades venezuelanas ofereceram cobertura policial e apoio logístico a essas organizações, permitindo o trânsito de até 250 toneladas de cocaína por ano até 2020. As drogas teriam sido transportadas por lanchas rápidas, navios de carga, barcos de pesca e aeronaves que partiam de pistas clandestinas.
O documento também atribui a Maduro e a Cilia Flores a ordem de sequestros, agressões e assassinatos relacionados à cobrança de dívidas do tráfico ou à eliminação de ameaças à operação criminosa. Entre os episódios citados está o assassinato de um traficante local em Caracas e o pagamento de propinas para garantir a passagem segura de carregamentos de cocaína.
Veja a denúncia na íntegra formalizada pelos EUA:
Confira a íntegra da denúncia contra Nicólás Maduro: https://t.co/vwaR5ThOgf via @Slideshare
— Lindie (@lindie_law) January 4, 2026