Governo Trump indica embaixador sem consultar o Brasil e revolta Itamaraty

Atualizado em 3 de junho de 2026 às 18:13
O presidente Lula ao lado do presidente EUA Donald Trump. Foto: Divulgação

A indicação de Daniel Perez para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil provocou incômodo no Itamaraty e abriu um novo ponto de atrito entre os governos de Lula e Donald Trump. O motivo foi a ausência da consulta diplomática prévia conhecida como “agrément”, procedimento normalmente adotado antes do anúncio oficial de um embaixador. Com informações do g1.

Na prática diplomática, o país que pretende nomear um embaixador costuma consultar de forma reservada o governo que receberá o representante. Somente após a concordância do país anfitrião o nome é oficialmente anunciado e encaminhado para os trâmites formais necessários.

Daniel Perez é parlamentar do estado da Flórida e filho de cubanos. Ele foi escolhido pelo governo Trump para comandar a representação diplomática dos Estados Unidos em Brasília. A indicação partiu do Departamento de Estado, órgão responsável pela política externa norte-americana.

O nome de Perez já foi enviado ao Senado dos Estados Unidos, que precisará analisar e aprovar a nomeação. A embaixada norte-americana no Brasil está sem titular desde janeiro de 2025.

Segundo informações obtidas junto a integrantes do Itamaraty e do Palácio do Planalto, a ausência do “agrément” foi interpretada por setores do governo brasileiro como uma quebra de protocolo diplomático. Nos bastidores, o episódio também reforçou avaliações de que o Departamento de Estado atua de forma crítica ao governo Lula.

O parlamentar Daniel Perez. Foot: Divulgação

Auxiliares próximos ao presidente defendem que a autorização para a posse do indicado seja examinada com cautela. Pela legislação diplomática, um embaixador estrangeiro não pode assumir oficialmente suas funções sem a concordância do país que o receberá.

Outra fonte ouvida afirmou que o tema ainda será discutido diretamente com Lula e que nenhuma decisão foi tomada até o momento. A avaliação dentro do governo é que a questão exige análise política e diplomática antes de qualquer posicionamento oficial.

Além do procedimento adotado pelos Estados Unidos, integrantes do governo observam o momento da indicação. A nomeação ocorre em período que antecede as eleições gerais brasileiras. Em 2025, o Brasil ignorou o “agrément” apresentado por Israel para a indicação de um novo embaixador.

Questionadas sobre a possibilidade de o futuro embaixador desempenhar algum papel político durante o processo eleitoral brasileiro, especialmente em relação a candidaturas de oposição ao governo Lula, fontes ligadas ao processo de nomeação nos Estados Unidos afirmaram que a tramitação no Senado pode ser demorada. Segundo essas fontes, não há garantia de que Perez chegue ao Brasil antes da realização das eleições.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.