Governo Trump lança site com sua própria versão sobre invasão do Capitólio

Atualizado em 7 de janeiro de 2026 às 7:05
Apoiadores de Donald Trump invadiram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Foto: Reprodução

O governo Trump lançou um site oficial que apresenta uma versão própria dos eventos de 6 de janeiro de 2021 e celebra o perdão concedido aos envolvidos no ataque ao Capitólio.

A plataforma, hospedada no domínio oficial da Casa Branca, sustenta que os detidos seriam “patriotas americanos” vítimas de um sistema de Justiça “instrumentalizado”, e redefine o episódio como um “protesto pacífico” marcado por suposta fraude eleitoral.

O portal afirma que as eleições de 2020 foram fraudadas e que o objetivo do site é “corrigir um erro histórico”. Em uma linha do tempo, o conteúdo destaca que Trump teria incentivado seus apoiadores a marchar “de forma pacífica e patriótica”, alegando que o então presidente “apresentou evidências de fraude eleitoral” e pediu determinação para “fazer suas vozes serem ouvidas de forma pacífica”.

O site também sustenta que Trump usou as redes sociais para pedir calma durante os confrontos: “Ele promove de forma consistente a não violência, apesar dos ataques contra os participantes e do clima de fortes emoções”.

Foto em preto e branco retirada da capa do site sobre os acontecimentos do 6 de janeiro de acordo com o governo Trump - Metrópoles
Capa do site sobre os acontecimentos do 6 de Janeiro, de acordo com o governo Trump. Foto: Reprodução

Acusações contra Nancy Pelosi

A narrativa publicada responsabiliza a ex-presidente da Câmara, Nancy Pelosi, por falhas de segurança no Capitólio. O conteúdo afirma que ela teria ignorado alertas de inteligência e recusado ofertas de tropas feitas pelo presidente Trump.

O texto acusa Pelosi de gastar cerca de US$ 20 milhões com um comitê “partidário” destinado a fabricar a narrativa de “insurreição” para impedir Trump de disputar nova eleição.

O portal também aponta supostas violações éticas, como treinamento de testemunhas e deleção de mais de um terabyte de dados investigativos para ocultar evidências contrárias à versão democrata.

Segundo o site, os eventos de 6 de janeiro não configuraram insurreição, mas uma tragédia decorrente da politização da segurança sob comando de Pelosi.

O que ocorreu em 6 de janeiro de 2021

Naquele dia, apoiadores de Trump invadiram o Capitólio para tentar impedir a certificação da vitória de Joe Biden. Tiros foram ouvidos dentro do prédio, parlamentares e jornalistas ficaram encurralados, e a Guarda Nacional foi acionada.

Antes da invasão, Trump havia dito aos apoiadores: “Eu estarei com vocês. Vamos andar até o Capitólio e felicitar nossos bravos senadores e congressistas”. Ele não participou da marcha.

Só depois da escalada da violência, o então presidente publicou um vídeo pedindo que o grupo deixasse o local: “Vocês têm que ir para casa. Precisamos ter paz, precisamos ter lei e ordem e precisamos respeitar nosso grande pessoal de lei e ordem”.

As postagens foram removidas pelo Twitter na época, que bloqueou a conta de Trump por 12 horas. O episódio deixou cinco mortos e cerca de 140 policiais feridos.