Governo Trump oculta nomes de ao menos seis figuras poderosas nos arquivos Epstein

Atualizado em 9 de fevereiro de 2026 às 23:05
Donald Trump e Jeffrey Epstein com suas mulheres, Melania e Ghislaine

O governo Trump pode ter rasurado informações-chaves dos arquivos Epstein para proteger figuras poderosas envolvidas no esquema de abuso de menores.

Na segunda-feira (9), os congressistas Thomas Massie, do Partido Republicano, e Ro Khanna, do Partido Democrata, tiveram acesso a versões não censuradas de aproximadamente 3 milhões de documentos relacionados ao caso Epstein e identificaram ao menos seis homens cujos nomes e fotos foram ocultados sem explicação legal plausível.

De acordo com Massie, que revisou os arquivos por duas horas em uma sala segura do Departamento de Justiça, os nomes rasurados incluem um “alto funcionário de governo estrangeiro” e outras figuras públicas que até o momento não foram reveladas.

“São seis homens, alguns com fotos, e não há explicação de por que esses nomes foram rasurados”, afirmou Massie, enfatizando que ao menos um dos rasurados é um cidadão americano e outro é estrangeiro.

Mais tarde, nas redes sociais, Massie insinuou que os nomes omitidos incluem um “CEO aposentado bastante conhecido” e um “sultão”.

Khanna, que também participou da revisão, disse que, além dos nomes ocultos, a quantidade de documentos rasurados em geral foi alarmante. “O maior problema aqui é o número excessivo de documentos rasurados sem justificativa”, afirmou. A questão dos censurados reavivou as críticas ao governo Trump, que foi acusado de não cumprir a lei que exige a liberação total dos documentos relacionados a Epstein.

Entre os documentos encontrados, Khanna destacou um trecho rasurado que contradizia as afirmações públicas de Trump sobre a expulsão de Epstein do clube Mar-a-Lago. “Esse trecho parece contradizer a versão pública de Trump, que sempre afirmou que havia expulsado Epstein. Isso foi rasurado sem justificativa”, comentou Khanna.

O Departamento de Justiça, que inicialmente divulgou os documentos de Epstein de forma rasurada, alegou que algumas informações foram censuradas para proteger a comunicação entre advogados e para resguardar certos processos deliberativos. No entanto, Massie e Khanna argumentam que a ocultação em massa não se justifica de acordo com a lei.

“Não há como administrar uma rede internacional de tráfico sexual infantil bilionária com apenas duas pessoas cometendo crimes, Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell”, afirmou o deputado Jamie Raskin, de Maryland, principal democrata na Comissão Judiciária da Câmara. “Portanto, precisamos descobrir quais outras conspirações existiam e quais outros cúmplices estavam envolvidos.”